Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza- se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do impacto da desigualdade social, quanto da ineficácia no exercício de políticas públicas. Diante disso, torna- se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os empecilhos no processo de letramento derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a desigualdade social continua sendo um dos fatores que mais influenciam nas dificuldades encontradas para a alfabetização de crianças, jovens e adultos, visto que, direitos sociais como a educação, chegam às camadas menos favorecidas da população, por meio da rede pública, com o funcionamento totalmente fragilizado, consequência da falta de investimento em aspectos a capacitação de profissionais.
Ademais, é imperativo ressaltar a ineficácia no exercício de políticas públicas como impulsionador do problema. A Política Nacional de Alfabetização (PNA), é um dos inúmeros órgãos que, na teoria, tem como finalidade a aplicação de métodos que venham a mitigar os obstáculos que assolam o processo de alfabetização. Contudo, segundo a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), o analfabetismo é uma realidade para cerca de 47,5 milhões de brasileiros, sendo 35,5 milhões de crianças e 12 milhões entre jovens e adultos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a impotência no exercício de leis e projetos, contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Dessarte, com o intuito de aplacar os desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por meio do Ministério da Educação, responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE), será revertido em projetos de capacitação de professores da rede pública de ensino, através do financiamento de cursos e workshops voltados para a especialização do letramento de crianças, apresentando técnicas e ferramentas que venham a facilitar o processo em questão. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do analfabetismo, e a coletividade alcançará a Utopia de More.