Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Platão, já na Idade Antiga, apontava para a necessidade do conhecimento para a transição do mundo sensível, isto é, uma realidade falsa com opiniões incoerentes, para o mundo das ideias, onde a razão reside e tudo é verdadeiro. Entretanto, o fato de 6,8% da população brasileira de 15 anos ou mais serem  consideradas iletradas é um empecilho para tal transição, visto que a alfabetização é um dos pilares para a obtenção do conhecimento. Assim, é necessário discutir sobre essa problemática que está tão inerente a dois fatores: a falta de percepção sobre uma educação transformadora e a evasão escolar relacionada à pobreza no Brasil.

A princípio, o educador Paulo Freire defendia uma educação direcionada para a realidade do aluno, para que este, assim, descobrisse seus diversos interesses e buscasse o conhecimento de maneira espontânea. Todavia, o sistema educacional brasileiro está extrínseco a tal ideia de Freire, uma vez que os educandos sentem-se pressionados e obrigados a aprender para obter nota e passar de ano, além de serem submetidos a diversos conteúdos que potencializam seus desprezos pelo ambiente escolar. Assim, a educação torna-se desinteressante e desvinculá-se do aspecto de transformadora da realidade, o que contribui para o analfabetismo.

Ademais, a crise econômica, agravada imensamente pelo contexto do coronavírus, coloca diversas famílias em situação de pobreza no Brasil, o que dificulta o processo de alfabetização. Isso porque, como mostrado no documentário Notícias de uma Guerra Particular, muitos alunos deixam a escola, a fim de colaborar com a renda familiar por meio de trabalhos informais, perigosos e com condições precárias e até por meio do tráfico. Além de que, como a pandemia demanda isolamento social e ensino remoto, muitas crianças e adolescentes carecem de tecnologias para assistir as aulas. Assim, há um intenso abando escolar por parte dos educandos e, consequentemente, uma estagnação social em termos de educação.

Portanto, é imprescindível estabelecer, à vista dos argumentos abordados, medidas que mitiguem o panorâma de analfabetização no Brasil. Para tanto, as escolas, em concordância com o Ministério da Educação, devem procurar entender a realidade dos alunos brasileiros, de modo a trabalhar conforme os interesses deles. Além disso, devem trazer a perspectiva de que a educação e o letramento podem transformar o mundo e os diferentes cenários sociais, como a pobreza. Assim, o ambiente escolar torna-se atrativo e instigador da busca pelo conhecimento, levando muitos indivíduos sociais a se engajarem nos temas tocantes à educação e a alcançarem, conforme Platão, o mundo das ideias.