Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Em 1808, com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, foi realizada uma missão artística na qual estabeleceu-se a Biblioteca Real no país. No entanto, seu acesso era elitizado, uma vez que pequenos produtores e escravos não tinham uma formação educacional ofertada. Sob essa perspectiva, é válido averiguar como a negligência do Poder Público e a indiferença familiar interferem, até os dias atuais, no processo de alfabetização no Brasil.

Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática. Segundo o filósofo Michel Foucault, existem uma série de “micropoderes” os quais são exercidos cotidianamente pelas instituições e influenciam na construção social. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto ao exercício de sua jurisdição no que tange ao investimento na luta contra o analfabetismo. Assim, há uma incoerência governamental com o Art °6 da Carta Magna, o qual prevê acesso à educação no país.

Ademais, é indispensável salientar a passividade da população como catalisador do empecilho. De acordo com o psicólogo e linguista, Jacques Lacan, o mundo infantil seria o alicerce à formação da identidade adulta. Nesse sentido, depreende-se a pouca participação dos pais no processo junto aos professores. Dessa forma, a dificuldade na alfabetização se torna um grande empecilho para o desenvolvimento dos educandos.

Portanto, indubitavelmente, é preciso que o processo de alfabetização seja majorado no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, como viabilizador do ensino, instaurar em escolas e universidades aulas lúdicas com alfabetizadores especializados, por intermédio de um projeto socioeducacional em todo território brasileiro. Tudo isso deve ocorrer com o fito de ofertar aos iletrados a devida inclusão e acessibilidade a seus direitos. Dessa maneira, ter-se-á uma nação diferente daquela marginalizada em 1808.