Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

O filósofo Claude Levi-Strauss analisa o coletivo por meio de eventos históricos e de relações sociais. De acordo com esse panorama, nota-se que a população marginaliza classes menos privilegiadas socialmente devido à ausência de apoio do Estado para o acesso desse grupo a direitos básicos, como a educação pública de qualidade. Destarte, visto que o índice de analfabetismo no Brasil perpetua-se alto, medidas públicas são fundamentais para a democratização da alfabetização, além de assegurar a percepção da inclusão social como um dever estatal.

Cabe mencionar, em primeira instância, os efeitos da ineficiência da educação brasileira e da distribuição desigual de renda e serviços entre os indivíduos, que compromete o desenvolvimento pessoal e profissional do cidadão. Por conseguinte, como os analfabetos não dominam o código alfabético e tampouco adquirem a competência de interpretação, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho cresce. Soma-se à essa desvantagem, a especialização da mão de obra após a Revolução Técnico-Científico-Informacional, a partir da aplicação da ciência no processo produtivo, que acentuou o desemprego estrutural.

Ademais, é pertinente destacar a interpretação do sociólogo Castells no auge da Terceira Revolução Industrial, que previu a criação de uma cultura informacional a partir da digitalização da informação. Paralelamente à veracidade de sua teoria, é perceptível que a tecnologia aliou-se ao sistema educacional como uma ferramenta de ajuda na aprendizagem do código alfabético. Entretanto, esse ambiente eletrônico não é a realidade de todo o Brasil, por causa da exclusão digital, já que camadas sociais mais pobres estagnaram à margem do fenômeno das redes e da tecnologia de informação.

Torna-se evidente, portanto, que a taxa de analfabetismo é elevada, principalmente entre as regiões alheias ao processo tecnológico e à educação cultural. Nessa ótica, é imperativo que a mídia - principal veículo formador de opinião - , com blogs e correntes de pensamento, pressione o governo para a realização efetiva do Plano Nacional de Educação a fim de proporcionar o domínio da leitura e da escrita para a maioria da população brasileira. Além disso, urge que o governo, na figura do Ministério da Economia, destine verbas para a construção de pontos de conexão à internet em regiões periféricas, por meio da definição de uma agenda econômica, uma vez que os impactos do progresso tecnológico analisados por Castells deveriam ser democráticos na atualidade brasileira.