Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
O livro “Admirável Mundo Novo”, do escritor inglês Aldous Huxley, retrata uma sociedade extremamente equilibrada, na qual foi erradicado o analfabetismo. Fora da utopia, o Brasil enfrenta uma realidade bem diferente da retratada na ficção, em que o aumento de casos de pessoas iletradas é encarado como normal, o que acaba por banalizar tal situação. Sob essa ótica, a falta de recursos e investimentos voltados ao setor educacional é a principal barreira a ser superada para frear o crescimento do analfabetismo no Brasil. Sendo assim, cabe analisar tal problemática e suas implicações na sociedade brasileira.
Inicialmente, é importante mencionar o baixo valor orçamentário destinado ao ensino básico como o principal empecilho ao desenvolvimento da educação e do processo de alfabetização. Isso se observa por meio de dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE, que mostra que o Brasil é um dos países-membros que menos investe no setor educacional. Dessa forma, tais restrições resultam em complicações no plano educacional do país, pois comprometem os investimentos em especialização, infraestrutura e capacitação dos profissionais alfabetizadores, o que colabora para perpetuar o analfabetismo no Brasil.
Logo, os impactos na vida dos brasileiros são, muitas vezes, irreparáveis. Como parte do exercício da cidadania, ser alfabetizado proporciona autonomia, independência e oportunidades de crescimento individual e profissional ao indivíduo. Nesse viés, quando tais benefícios são negados, há quebra no contrato social, conceito proposto pelo filósofo Rousseau, que explica o dever do Estado em proporcionar meios para o cumprimento das leis e assegurar o bem-estar da população. Sendo assim, urge a necessidade de mudanças na estrutura educacional brasileira.
Portanto, para que as aspirações do livro de Huxley sejam reais no Brasil, é preciso que o governo federal, por meio de uma revisão nos planos orçamentários, destine mais verbas ao Ministério da Educação (MEC). Com isso, o órgão responsável poderá investir no ensino básico, raiz do problema da alfabetização, de forma a capacitar melhor os professores, além de aprimorar a infraestrutura das instituições de ensino. Assim, a nação fará jus ao lema “pátria educadora” proposta no slogan do MEC, e formará cidadãos plenos em seus direitos.