Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Platão, já na Idade Antiga, apontava para a necessidade do conhecimento para a transição do mundo sensível, isto é, um mundo falso e irreal, para o mundo das ideais, no qual a razão reside e tudo é verdadeiro. Entretanto, o fato de 6,8% da população brasileira com 15 anos ou mais de idade ser considerada iletrada é um empecilho para tal transição, visto que a alfabetização é um dos pilares para obtenção do conhecimento. Assim, é imprescindível discutir sobre essa problemática tão inerente a dois fatores: a falta de percepção de uma educação transformadora e a evasão escolar relacionada à pobreza no Brasil.

A princípio, o educador Paulo Freire defendia uma educação direcionada para a realidade do aluno, para que esse, logo, descobrisse seus diversos interesses e buscasse o conhecimento de maneira espontânea. Todavia, o sistema educacional brasileiro está extrínseco a essa ideia de Freire, pois os educandos sentem-se pressionados e obrigados a aprender para obter nota e passar de ano, além de serem submetidos a conteúdos que potencializam seus desprezos pelo ambiente escolar. Desse modo, a educação não só se torna desinteressante, mas também se desvincula do aspecto de transformadora de mundo.

Ademais, a crise econômica, agravada  imensamente pelo contexto do coronavírus, coloca diversas famílias em situação de pobreza no Brasil, o que dificulta o processo de alfabetização. Isso porque, como evidenciado no documentário “Notícias de uma Guerra Particular”, muitos alunos deixam a escola, a fim de colaborar com a renda familiar por meio de trabalhos informais e perigosos ou até por meio tráfico. Além de que, como a pandemia demanda isolamento social e ensino remoto, muitas crianças e adolescentes carecem de tecnologias para assistir as aulas online. Assim, há um intenso abandono escolar por parte dos educandos e, consequentemente, uma estagnação social em termos de educação.

Portanto, é indiscultível a urgência de estabelecer, à vista dos argumentos abordados, medidas que mitiguem o panorâma de analfabetização no Brasil. Para tanto, as escolas, em concordância com o Ministério da Educação, devem levar a perspectiva de que a educação e o letramento podem transformar o mundo e os diferentes cenários sociais, como a pobreza, por meio da promoção de oficinas literárias, artísticas e até científicas e de palestras motivacionais e inspiradoras, com o intuito de estimular os alunos a permanecerem no ambiente escolar e a se envolverem nos temas e problemáticas recorrentes da sociedade. Dessa maneira, há a instigação pelo conhecimento e, em sequência, o alcance, conforme Platão, do mundo das ideias.