Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O escritor inglês Francis Bacon, em sua obra inacabada Nova Atlântida, retrata uma sociedade utópica e perfeita, com direitos e deveres iguais para todos, bem como a falta de problemas e conflitos. Fora do parâmetro ficcional, esse não se faz presente no Brasil hodierno, tendo em mente os desafios no processo de alfabetização no Brasil. Sob tal ótica, vê-se que o descaso estatal e o individualismo presente na sociedade, revelam-se como agravantes para essa problemática. Diante desse panorama defectivo, urge sua necessidade por retificação.

A princípio, é imperioso avaliar como a inação governamental contribui para tal adversidade. A Carta Magna de 1988 garante a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, no entanto, é factual que o Poder Executivo não efetiva essa prerrogativa. Isso é comprovado quando se observa a falta de medidas efetivas no tocante ao desenvolvimento de uma educação básica de qualidade, isto é, a carência de programas e investimentos, haja vista o fato de que 34% das crianças brasileiras chegam no final do 3º ano sem ler ou escrever (segundo a Avaliação Nacional de Alfabetização). Essa conjuntura, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, configura-se como “violação do contrato social”, visto que, segundo o autor, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Assim, cabe ao Governo um plano para atenuar essa situação>

Sob outro prisma, cabe pontuar também, como o individualismo presente na sociedade colabora para a continuidade do déficit no processo de alfabetização de muitos brasileiros. Nesse viés, uma filósofa alemã Hannah Arendt criou o conceito de ‘responsabilidade coletiva’ ‘, no qual todos os participantes em uma comunidade são coletivamente responsáveis ​​pelas ações do Estado em seus nomes. Além disso, percebe-se o fato dos brasileiros não estarem exercendo bem esse seu dever, uma vez que o tecido social estático diante da quantidade de jovens fora da escola e de que boa parte dos que estão são analfabetos funcionais. Dessarte, é fundamental uma mudança no pensamento do corpo social brasileiro, tendo em vista que o homem deve zelar pelo bem coletivo em detrimento do indivíduo, em virtude desse estar articulado em uma comunidade.

Infere-se, portanto, que há entraves para que seja erradicado analfabetismo no Brasil. Assim, cabe ao Governo Federal em parceira com o Ministério da Educação - ramo estatal responsável pela formação civil - criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas. Isso pode ser feito por meio da abordagem da temática, desde o ensino fundamental com palestras, atividades lúdicas e artísticas adaptadas faixa etária, um fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por consequência - sensibilizem-se. Por fim, é imprescindível que a comunidade tupiniquim exija do Poder Público a concretude dos princípios constitucionais. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á