Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o direito à educação a todos os cidadãos brasileiros, observa-se que, na realidade, não há o pleno cumprimento dessa garantia. Isso é afirmado, pois o processo de alfabetização de jovens é uma problemática turbulenta e recorrente no Brasil. Entre os desafios para a superação desse problema está a mitigação da pobreza, que, por sua vez, possui consequências lamentáveis para essa questão. Assim, faz-se necessário a aplicação de medidas cujo objetivo seja modificar esse quadro.

Em primeiro lugar, é conveniente destacar que o perfil socioeconômico do Brasil é uma das causas do problema. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - conhecido pela sua sigla “IBGE” -, cerca de 25% da população brasileira se encontra na faixa da pobreza. Nessa perspectiva, é válido afirmar que os pais de família que se encontram nessas condições não possuem recursos financeiros suficientes para sustentar seus filhos, que são forçados a abandonar a escola nas fases primordiais da vida para trabalhar. É por essa situação cruel que suas famílias conseguem sobreviver, pois há o aumento de renda. Logo, esse processo de evasão escolar, que é consequente da pobreza no Brasil, configura-se como um dos grandes desafios para o país alfabetizar seus jovens e, assim, cumprir com as diretrizes constitucionais.

Outrossim, é imperativo destacar que, como uma das consequências desse cenário, está a marginalização desses jovens analfabetos que, uma vez crescidos, encontrarão dificuldades de ascender socialmente e de se inserir no mercado de trabalho. A esse respeito, o sociólogo Émile Durkheim afirma, na obra “A Divisão do Trabalho”, que altos níveis de especialização laboral e cognitiva são cobrados dos indivíduos que vivem em solidariedades orgânicas - maneira com a qual ele refere ao modo de vida das sociedades modernas. Dessa forma, as falhas de um processo de alfabetização desafiante resultam em indivíduos mal qualificados que, por não saberem ler e nem escrever, não conseguirão ingressar em universidades para se especializarem. Logo, eles se econtrarão às margens da sociedade, realizando trabalhos  braçais considerados como inferiores e pouco lucrativos.

Portanto, considerando os aspectos supracitados, é mister que o Estado elabore políticas públicas para facilitar o processo de alfabetização dos jovens. Isso pode ser feito por meio de parcerias com o Ministério da Fazenda, que deverá dar incentivos financeiros aos alunos - como uma bolsa escolar - para que a renda da família não fique prejudicada em função da permanência das crianças na escola. Assim, será possível diminuir os entraves ao processo de alfabetização e, consequentemente, incentivar o surgimento de uma sociedade qualificada.