Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
A Constituição Brasileira de 1988 - documento que está situado no topo do ornamento jurídico - garante a todos indivíduos o direito a educação, como também reforça, em seu Artigo 3°, a obrigação do Estado em garantir o desenvolvimento nacional. Entretanto, embora seja uma garantia constitucional, a prática dessas determinações não está sendo constatada por substancial parcela da população, uma vez que o processo de alfabetização no Brasil enfrenta desafios de grandes proporções. Nesse contexto, é válido apontar a má distribuição de renda e a inércia social como elementos que agravam essa situação.
Sob essa perspectiva, a disparidade socioeconômica histórica brasileira apresenta íntima relação com a ausência de jovens estudantes em instituições de ensino. Desse modo, de acordo com o Índice de Gini, medida que classifica o grau de de desigualdade em um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Contudo, essa disparidade contribui para que muitas crianças e adolescentes sejam forçadas a abandonar a sala de aula para assumir outras responsabilidades como o trabalho infantil e cuidados domésticos. Dessa forma, parte da população brasileira, devido sua condição social, é impedida de ter acesso à educação, o que resulta em uma formação de ensino incompleta, fato que, consequentemente, agrava o entrave coletivo.
Outrossim, nota-se também que a falta de engajamento popular prorroga a problemática. Sendo assim, segundo o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam o seu entendimento a respeito do mundo. Sob esse prisma, observa que por estarem imersos em uma outra realidade, a sociedade não percebe a importância que a alfabetização adequada traz consigo. Como consequência, a inviabilização dessa questão dentro do corpo social impede a cobrança de melhores condições no sistema estudantil. Dessa maneira, a coletividade não consegue identificar os benefícios da formação escolar na construção do indivíduo.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de agir para que esse impasse seja resolvido. Destarte, o Ministério da Educação, órgão responsável pela administração dos aspectos educacionais da nação, por meio de verbas públicas, deve investir em projetos que tenham como finalidade a construção de escolas em zonas rurais, para proporcionar condições igualitárias de aprendizagem. Ademais, seria válido, por meio de um amplo debate entre famílias, Estado e professores, introduzir novos métodos eficazes de ensino, com o fito de tornar a educação brasileira mais dinâmica e inclusiva. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o quadro exposto pelo Índice de Gini.