Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

São Tomas de Aquino defende que todas as pessoas devem ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão da baixa mobilização do Estado permitiu o alto índice de desafios enfrentados no processo de alfabetização, que contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, esse grupo é vítima de descaso constante. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos em virtude do descaso estatal e encontra espaço na falta de conhecimento social, que agravam a situação.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o descaso estatal presente na questão. Sob esse viés, esse fator, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, configura-se como a violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos gozem de seus direitos imprescíndiveis, como o acesso à educação básica necessária para a alfabetização e para o convívio  social, o que infelizmente, é evidente no país. Dessa maneira, essa ineficiência do Poder Público contribui massivamente para a indiferença com a coletividade. Portanto, fica explícito que essa questão favorece a permanência da analfabetização entre jovens e adultos.

Em consequência disso, surge a questão da falta  de conhecimento social, que intensifica a gravidade do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre a alfabetização, muitas delas acabam por abandonar as instituições de ensino, o que causa a evasão escolar e como consequência disso acabam desenvolvendo uma dificuldade na inserção social, por ter uma visão limitada sobre o problema, o que dificulta a erradicação do impasse. Dessa forma, percebe-se que no país a ineficiência de políticas públicas que incentivem os jovens a retornarem as escolas aumentam a dificuldade para a amenização do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância da alfabetização no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, tais reuniões não devem se limitar aos alunos, mas serem abertas à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas aos desafios enfrentados na alfabetização e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Desse modo, o princípio de Locke poderia se concretizar no Brasil atual.