Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

No final do século XX, diversas medidas foram implementadas visando a maior capacitação da população brasileira, dentre as quais destaca-se a democratização do ensino. Infelizmente, no entanto, essa democratização se mostrou insuficiente ao combater problemas como o analfabetismo no Brasil, visto que, apesar dos inegáveis avanços nessa área, o país ainda conta com um enorme número de pessoas nessa situação. Dessa forma, convém estudar as causas do problema para propor intervenção.

Em primeiro lugar, sob uma ótica política, fica evidente que o preocupante quadro de analfabetismo no país arquiteta-se como um subproduto de um governo negligente. Thomas Jefferson, em um de seus discursos, pontuou que a aplicação das leis é mais importante que a aplicação delas. Entretanto, contrariando as ideias do terceiro presidente dos Estados Unidos da América, os recentes governos não efetuam o que é previsto na lei, isto é, não provêm a educação assegurada de pela Constituição Federal de 1988. Essa negligência, por sua vez, vai de encontro ao proposto pelo estadista estadunidense e é diretamente responsável pelos mais de 10 milhões de analfabetos no país, como evidenciado pela pesquisa Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

Além disso, sob uma perspectiva socioeconômica, vale ressaltar que um dos fatores que mais contribuem com esse cenário é a intensa desigualdade social presente no país. O Índice de Gini, coeficiente que indica o nível de desigualdade das nações, lista a brasileira como uma das dez mais desiguais do globo. Essa desigualdade, por sua vez, é determinante na manutenção altíssima taxa de analfabetismo, visto que enquanto os mais ricos têm acesso a uma educação primária de qualidade, as classes mais baixas, que são a maioria, ficam à mercê do precário serviço público, e muitas vezes completam o terceiro ano do fundamental sem saber ler, como evidenciado pelo recente estudo do Inep.

Vê-se, portanto, que a problemática não pode ser menosprezada e deve-se tomar medidas para mitigá-la. Com essa finalidade, é mister que o Governo Federal, por meio do MEC (Ministério da Educação), aumente os investimentos na educação de base. Isso poderia ser feito com a construção de novas escolas e a contratação de profissionais qualificados. Ações como essas, que não excluem outras, poderão revitalizar a matriz pedagógica e diminuir cada vez mais o vergonhoso número de analfabetos no Brasil.