Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Na obra “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus narra sua vida na favela do Canindé. A dura realidade vivenciada pela autora é decorrente de fatores como seu baixo grau de escolaridade. Fora da ficção, no Brasil, os desafios relacionados ao processo de alfabetização continuam a ser perpetuados não somente pela ineficiência estatal, mas também pela disparidade social.

Hodiernamente, a ineficácia do Poder Público é um dos principais fatores que potencializa o imbróglio da alfabetização. Consoante ao economista Arthur Lewis, educação nunca foi despesa, mas um investimento com retorno garantido. Sob essa ótica, infere-se a responsabilidade do Estado sobre o descuido com a educação e, consequentemente, uma taxa de analfabetismo da população, uma vez que a carência de investimentos na área inviabiliza o alcance ao maior número de pessoas da sociedade.

Ademais, a desigualdade social também apresenta-se como um dos impasses para a solução da problemática. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, garante que a educação é direito de todos e um dever do Estado. Por esse ângulo, é perceptível que uma condição precária vivida por diversas famílias implica diretamente no processo de alfabetização do país, tendo em vista que esses cidadãos não têm um fácil acesso a escolas e outros meios de educação.

Em virtude dos fatos destacados, torna-se evidente a necessidade de ações para enfrentamento e mitigação dessa mazela social. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, por meio de investimentos, a criação de projetos para a construção de mais escolas, em locais de maior vulnerabilidade social, a fim de permitir o ingresso de uma maior quantidade de pessoas na educação básica, em especial, as marginalizadas perante a sociedade. Por consequência, hipóteses como a relatada por Carolina Maria de Jesus podem ser evitadas.