Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
No dia 12 de Agosto de 1798, a cidade de Salvador amanheceu repleta de folhetos afixados no espaço público. Esses papéis continham críticas ao regime de Portugal, à escravidão e convocavam a população para uma revolta. Entretanto, o levante popular não procedeu conforme o esperado visto que a maioria dos populares era analfabeta; e por isso, fora incapaz de receber a mensagem deixada nos pasquins pela elite intelectual da cidade. Assim foi a Conjuração Baiana, um movimento emancipacionista que evidenciou a defeituosa educação brasileira. Mas afinal, quais os desafios para a alfabetização ser efetuada no país?
Primeiramente, sabe-se que a instrução primária tanto insere o indivíduo na sociedade quanto facilita sua vivência nela. Prova disso é a vida de Carolina Maria de Jesus, uma mulher em situação de miséria cujo diferencial para seus demais, foi seu letramento. Essa habilidade a fez famosa em 1960 com a publicação de seu livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada” ; no qual relata e denuncia a negligência ofereciada pelo Estado ao povo marginalizado. Com isso, é notabilizada a contínua falta de acesso à educação básica vivida pelas classes mais baixas. Pois se não fosse capaz de ler, escrever e interpretar, Carolina teria o mesmo destino anônimo e sofrido que tiveram os outros moradores da comunidade.
Sob esse viés, é entendido que o maior problema estrutural da educação básica, isto é, o grande empecílio para o exercício da política de alfabetização na idade correta (até os 8 anos de idade), -como previsto pela Constituição Brasileira outorgada em 1988-, é a desigualdade social. Comprovando essa observação, o “Mapa do analfabetismo”, infográfico publicado em 2019 pelo site “Gazeta do povo”, compila dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os quais salientam que entre os mais pobres, o analfabetismo é vinte vezes maior do que nas classes média e alta. O que demonstra a ineficácia da rede pública de escolas em proporcionar um ensino de qualidade aos jovens brasileiros.
Portanto, é percebida uma urgente intervenção nesse cenário. Cabe ao Ministério da Educação, enquanto órgão público responsável pela política nacional de ensino, investir nos primeiros anos escolares das instituições públicas por meio de programas educacionais, custeados por verbas recolhidas de impostos, Esses programas terão a finalidade de aumentar a taxa de alfabetização da população. E, dessa forma, poder-se-á eliminar a histórica disparidade que há entre os níveis de escolaridade das classes do corpo social, bem como garantir que os futuros cidadãos tenham vidas mais ativas na coletividade.