Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Na obra “Capitães da Areia”, escrita pelo romancista Jorge Amado, um grupo de órfãos é submetido às condições antagônicas do litoral baiano. Nesse cenário, a extrema desigualdade social infere mazelas no processo de alfabetização desses jovens, tal qual o desamparo governamental no combate ao analfabetismo. No Brasil Pós-Moderno, analogamente, os desafios do processo de alfabetização  se veem atrelados à histórica desigualdade social e à desvalorização da educação no país. Portanto, faz-se indispensável o debate acerca da proposição de intervenções que mitiguem tal excludente cenário.

Mormente, ao tomar como norte uma esfera estritamente histórica acerca do advento da desigualdade no país, nota-se replicações na contemporaneidade. Nesse ínterim, com o início do Período Joanino houve a extinção da condição de colônia portuguesa e, por conseguinte, instituiu-se uma série de reformas urbanas na capital do país. No entanto, tal política de revitalização fomentou a retirada da população menos afortunada dos centros urbanos e configurou uma elitização do acesso às ferramentas sociais, assim como à educação. Diante desse excludente cenário, a analfabetismo faz-se presente nas periferias, em virtude do processo de segregação postulado pelas esferas governamentais, no qual promoveu, ainda mais, o antagonismo social na relação centro-periferia.

Outrossim, vale ressaltar uma perspectiva sociológica em torno da importância mister da educação no desenvolvimento social. Nesse sentido, evidencia-se a máxima de Nelson Mandela, líder africano no combate ao Apartheid, ao entender a educação como a única arma capaz de resolver as problemáticas globais. Em suma, Mandela infere a possibilidade de se combater os problemas do mundo por meio do ensino, em contraposição à proposição da necessidade de munir armamentos. No entanto, embora retratado sob a perspectiva do africano, a negligência governamental infere dificuldades no processo de alfabetização no país, de modo que a falta de investimentos no combate ao analfabetismo determine a manutenção desta mazela social, haja vista o papel mister do Estado em gerir as estruturas educativas.

O processo de alfabetização, portanto, enfrenta desafios preocupantes no país. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação, principal órgão responsável pelo ensino no país, promover campanhas de alfabetização na periferia, a exemplo da criação de grupos de estudos destinados à população analfabeta, composto por profissionais da educação residentes nas próprias regiões. Tal medida prevê o combate ao antagonismo social no ensino e, ainda, fornecer empregos à população. Além disso, cabe ao Governo Federal, em parceria às secretarias da educação, investir massivamente em campanhas de combate ao analfabetismo, de modo que comprove o papel mister do Estado em gerir as esferas educacionais. Somente assim, atenuar-se-á o execrável cenário, tal qual retratado por Jorge Amado.