Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
No filme “Central do Brasil”, um dos clássicos brasileiros, passa-se a história da Dora, uma amargurada ex-professora que ganha dinheiro escrevendo cartas para analfabetos na central do Rio de Janeiro com a falsa promessa de enviá-las aos seus familiares. De maneira análoga, o longa retrata a realidade de muitos brasileiros os quais se encontram em total vulnerabilidade por não saberem ler e escrever, o que se configura como um grande desafio no Brasil. Diante disso, é lícito destacar o peso que a desigualdade socioeconômica e a marginalização social que possuem sobre o analfabetismo no país.
Sob essa perspectiva, convém enfatizar o impacto da disparidade social na permanência de crianças e jovens em instituições de ensino. Nesse sentido, de acordo com o Índice do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade força os estudantes de famílias carentes à evasão escolar, para que contribuam com a renda do lar cada vez mais cedo. Dessa forma, parcela da sociedade brasileira, devido a sua condição social, é impedida de ter acesso à educação, o que resulta em uma formação de ensino incompleta, fato que, consequentemente, agrava o entrave social.
Outrossim, é imperativo destacar a falta de empatia como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo a filosofa Simone de Beauvoir desenvolveu o conceito conhecido como Invisibilidade Social, que diz respeito ao processo de apagamento e de marginação sofrido por determinados grupos excluídos. Dessa forma, a falta de instrução coopera para a invisibilidade denunciada por Beauvoir, de modo que os indivíduos que não sabem ler também não alcançam bons empregos, não têm acesso à renda e, consequentemente, estão susceptíveis à opressão.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo em todo território nacional. Para tanto, o Governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de aprendizagem. Ademais, compete ao Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas nacionais educativas - por meio de amplo debate entre famílias, Estado e professores, introduzir novos métodos eficazes de ensino, com o fito de transformar a educação brasileira, diminuir a marginalização social e, consequentemente, o analfabetismo no país. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o quadro exposto pelo índice do IBGE.