Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

No livro, baseado em fatos reais, ‘‘Quarto de despejo’’, de Carolina Maria de Jesus, a protagonista, que reside na favela do Canindé, relata como é um privilégio saber ler e escrever, uma vez que todos seus conhecidos sofriam inúmeros abusos por serem analfabetos. Fora da obra, no Brasil hodierno, a alfabetização se encontra em um estágio catastrófico, se tornando um dos maiores atrasos da sociedade. Isso ocorre ora pelo descaso das esferas governamentais, ora pela inação do próprio cidadão. Diante disso, é imprescindível o debate sobre as mazelas da problemática, com o intuito de combatê-las.

Em primeira análise, o panorama supracitado permanece inalterado por causa da inação das esferas governamentais. Conforme apontado por Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadania de papel’’ muitos direitos são garantidos na lei - assim como o direito à educação esta previsto no 6 artigo da constituição cidadã-, entretanto, na prática, eles não se encontram vigentes na sociedade. Dessarte, igualmente ao apontado, a alfabetização se encontra somente no meio intelectual, mas precisa ir para o mundo real.

Ademais, o processo de alfabetização requer um desempenho grande por parte de todos os  envolvidos. Todavia, o sujeito que precisa aprender a ler e escrever se encontra, na maior parte das vezes, nas camadas menos favorecidas da população, e está a deriva na superficialidade da odierna consciência social. Como postulou o filósofo Pierre Bourdieu, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com assuntos efêmeros, deixando de lado questões importantes, como a alfabetização. Desse modo, é imperioso que haja uma radical mudança nas prioridades do corpo social.

Depreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para mitigar o trágico cenário reiterado. Para tanto, urge que o Poder Executivo, mais precisamente o Ministério da Educação, crie uma secretaria especializada na educação básica. Assim, ela seria responsável por aumentar as verbas destinada a especialização e capacitação de profissionais responsáveis pela alfabetização. Com isso, ao tornar a mão de obra educadora maior e mais qualificada, um percentual maior de estudantes sarão impactados. Com uma maior abrangência, permitida pelo programa, assuntos relacionados com ler e escrever se tornaram pauta na vida dos jovens, fugindo da tendência descrita pelo Boourdieu. Seguindo tais diretrizes, histórias como a do ‘‘Quarto de Despejo’’ serão apenas uma mera ficção.