Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O analfabetismo é um sintoma cultural provocado pelo processo de exclusão que ocorreu no passado e que hoje aprofunda ainda mais as desigualdades. A partir disso, o determinismo instrucional velado e o modelo de educação arcaico contribuem para manter altos os índices desse problema que afetam a camada mais pobre do país.

No Brasil do século XIX, o letramento foi um dos elementos usados ​​para restringir o direito ao voto. Assim, percebe-se que o tecido social está imbricado em determinismos implícitos que se refletem no comportamento, engessando a situação social das pessoas, sendo a própria estrutura da educação um afirmador disso. O filme Que horas ela volta?, ilustra que isso pode ser diferente quando mostra que a filha da empregada consegue uma pontuação no vestibular melhor do que a do filho dos patrões, mesmo quando esses preconizam a dificuldade do processo de seleção e duvidam dos méritos de seus estudos.

Diante desse padrão educacional antiquado que desmotiva, frusta e desprenza os diferentes tipos de aprendizagem, condições sociais adequadas e a qualidade dessa educação, percebe-se que a falta de interesse na resolução dessas questões que embasam o ensino contribuem para a renovação de gerações de analfabetos. Contudo, entre as décadas de 50 e 60 e também nos anos 90, quando tais questões foram atendidas, houve diminuição do analfabetismo e melhora na conjuntura de vida da população.

Para descotinar o determinismo e evitar o surgimento de gerações de analfabetos, é necessário que o Governo atualize o modelo de educação e de aprendizagem desde o ensino infantil até o adulto, com a mesma importância, suprindo as condições básicas para a aprendizagem, com ensino técnico voltado para o mercado de trabalho, transporte adequado e merenda escolar. Portanto, a valorização às pontencialidades e habilidades individuais através do estudo, juntamente com um meio propício, fomentariam o crescimento e a igualdade social.