Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Na obra “Quarto de Despejo”, Carolina de Jesus narra, em forma de diário, sua rotina e suas reflexões sobre a vida na periferia. Mesmo sem o ensino básico completo, a autora expressa – ainda que, por vezes, com erros gramaticais – sua sofrida vivência. No entanto, são poucos os que conseguem reproduzir o feito de Carolina, uma vez que, em virtude da elitização do ensino e do elevado índice de pobreza no Brasil, o problema do analfabetismo vem há séculos assolando milhões de brasileiros. Vale ressaltar, primeiramente, que o acesso ao estudo é um privilégio dos mais afortunados desde a formação do país. Durante o Período Colonial, por exemplo, somente os membros das camadas sociais superiores tinham acesso às escolas jesuíticas. Na atualidade, o cenário é semelhante, uma vez que a qualidade de ensino e infraestrutura prevalecem, em sua maioria, nas instituições privadas, que exigem alta renda para que possam ser frequentadas. Assim, tais recursos tão importantes à alfabetização ficam quase que restritos às elites, excluindo as comunidades mais carentes. Além disso, a evasão escolar em decorrência de dificuldades financeiras torna o problema ainda mais complexo. Com um elevado valor no Índice de Gini, coeficiente responsável por medir a concentração de renda de um país, O Brasil é considerado uma das nações mais desiguais do globo, com um enorme contingente em situação de pobreza. Por conseguinte, é comum que jovens abandonem o estudo para ajudar no sustento da família, tendo de trabalhar desde a infância – período mais importante da alfabetização. Dessa forma, fica clara a influência que a conjuntura socioeconômica de uma população tem no problema do analfabetismo. Portanto, é imprescindível a atuação do Governo Federal, em conjunto do Ministério da Educação na arrecadação de impostos, por meio da taxação de grandes fortunas, a fim de direcioná-los à geração de empregos com salários dignos e à reformas, tanto na infraestrutura quanto no sistema educacional das escolas públicas, de modo a reduzir a pobreza no país e a oferecer um ensino de qualidade às populações mais periféricas. Somente assim a nova geração terá a possibilidade não só de registrar verbalmente seus desafios e inspirar outros, assim como fizera Carolina de Jesus, como também de alcançar carreiras promissoras por meio do estudo, contribuindo com o regresso da desigualdade e do analfabetismo no Brasil.