Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um cadeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e os desafios do processo de alfabetização no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não conscientizar as pessoas sobre a importância da conclusão do ensino básico. Isso porque, com essa medida, um jovem pode ter interesse de abandonar o ambiente escolar. Contudo, entender que essa atitude pode comprometer a inserção dele no mercado de trabalho tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante os desafios do processo de alfabetização. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população diante da falta de investimento estatal, visto que faltam verbas para financiar cursos de capacitação para os professores com o intuito de auxiliar no aprendizado dos alunos, comprometido, desse modo, o direito à educação dos estudantes. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se, que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, dessa forma, o senso crítico deles.

Constata-se, finalmente, que os desafios do processo de alfabetização devem ser solucionados. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando projetos educativos em praças públicas, com o objetivo de informar a sociedade sobre a relevância do ensino básico para a inserção no mercado de trabalho. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas promovidas por ONGs, a fim de que essas dificuldades não sejam banalizadas, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério da Educação com o investimento financeiro em cursos para o treinamento dos educadores, objetivando, com isso, auxiliar os alunos a adquirir conhecimento e garantir o direito à educação deles. Desse modo, assim como na obra “Guernica” seria possível “iluminar” o processo de superação desse impasse.