Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O filme “O menino que descobriu o vento” retrata a busca implacável do garoto William em utilizar seus conhecimentos acadêmicos para construir um catavento em prol da sua comunidade. Apesar desse longa servir como exemplificação para a importância da educação como ferramenta de transformação da realidade, constata-se que no Brasil a educação da população não é tida como prioridade nas discussões sociais, situação que dificulta o processo de alfabetização no país. Essa realidade é fruto inegável do papel negligente do Estado em propor um sistema educacional que atende as demandas educacionais. Assim, entre os fatores que alicerçam essa questão, destacam-se a terceirização da educação, bem como a subversão do papel políticos dos administradores públicos.

Em primeiro plano, é imperativo analisar como omissão do núcleo familiar na educação infantil contribui com persistência do analfabetismo no Brasil. Isso ocorre porque o atual fluxo urbano impõe longas jornadas de trabalho aos cidadãos e, desse modo, restringe o tempo de convívio educacional familiar, fato que alicerça no pensamento coletivo o pressuposto de que somente as escolas possuem responsabilidades na alfabetização. Esse panorama assemelha-se ao defendido pelo filósofo Mario Sergio Cortella que, ao contrário da tendência social em delegar o ensino apenas às escolas, defende a participação colaborativa familiar no processo emancipatório de alfabetização.

Outrossim, observa-se como a conduta de alguns políticos solidificam os altos índices de analfabetismo. Essa situação advém de representantes públicos que não estão alinhados aos interesses sociais e, assim, não fomentam políticas públicas que visam reverter o quadro de submissão ao analfabetismo em que muitos indivíduos encontram-se. Nessa conjuntura, os sujeitos tornam-se vulneráveis ao subemprego e condições que acentuam as desigualdades sociais no país. Esse cenário é paralelo ao que defende o sociólogo Pierre Bourdieu em sua teoria da violência simbólica, uma vez que para ele a violência não se limita à agressões físicas, mas também inclui coerções e violação à dignidade, assim como o analfabetismo atua como uma forma simbólica de opressão.

Visto isso, constata-se que os desafios do processo de alfabetização no Brasil origina-se de um Estado que não prioriza o campo educacional. Dessa forma, urge que o Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, elabore um Plano Nacional Contra o Analfabetismo, a fim de mitigar esse déficit educacional no país. Ademais, esse Plano deve ainda instruir eventos em que a escola e famílias possam debater o ensino, além de instituir que os representantes políticos tenham como base de seus mandatos projetos que visem tornar a educação acessível a toda sociedade. Assim, a educação será um instrumento que modifique a vida das pessoas, como alterou a do personagem William.