Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Após o armistício de julho de 1953, a porção sul da Península Coreana, apoiada pelas potências ocidentais, inicou um caminho radical de reformas. Entre as medidas previstas, estava investir dinheiro e inteligência na educação pública, de moda a preparar pessoas qualificadas para uma indústria nacional que, desde o início, estava desenhada para gerar inovação e tecnologia. Esse modelo demonstra que a política de educação deve ser orientada por metas claras, factíveis e que envolvam um projeto amplo de desenvolvimento. Por outro lado, o Brasil ainda se encontra na luta contra o analfabetismo, cujos números ainda são graves, sem, contuto, oferecer um plano propositivo e coordenado para superá-lo.
O desafio da alfabetização dos brasileiros expressa-se em números vexaminosos. Segundo dados do IBGE, cerca de 7% dos maiores de 15 anos declararam-se analfabetos em uma pesquisa realizada em 2019, isso significa que 11 milhões de pessoas não sabe ou lê minimamente, o que corresponde à população de Cuba, que por sinal, no mesmo ano, zerou o analfabetismo. Isso não se deve a falta de vontade e esforço por parte dos operadores e trabalhadores da Educação, uma vez que o país ofereceu ao mundo personalidades como as de Anísio Teixeira e Paulo Freire, que é lembrado por ensinar 300 pessoas a ler, em Angicos-RN, em apenas 40 dias.
O que realmente falta para solucionar esse grave problema, que corresponde à quinta meta do PNE 2014-2024, é uma ação coordenada, inteligente, multidisciplinar e ambiocisa. Apesar das propostas brilhantes da Lei de Diretrizes e Bases de 1996, desde a sua promulgação sabe-se muito bem o que fazer e até como fazer, mas pouco se discute o porquê, ou seja, quais são os objetivos do país, seu desejo para o futuro e o papel que a escolarização dos cidadãos joga para sua realização. Isto é, se o futuro que vislumbrado se concretiza apenas por uma exploração rudimentar dos recursos naturais, por uma indústria de baixo valor agregado e por um setor de serviços com ínfimos níveis de exigência, ser letrado ou não pouco conta, desde que os parafusos sejam apertados com torque adequado.
Portanto, no Brasil a baixa escolarização e o consequente analfabetismo são o resultado da falta de um projeto nacional de desenvolvimento, que seja sustentado por uma mão-de-obra qualificada e bem remunerada. Para começar a superar esse desafio maíusculo, faz-se necessário que o Parlamento promulgue um Plano Nacional de Desenvolvimento, que contemple diferentes setores da economia e govenança do país, inclusive da Educação, e que leve em consideração os acordos internacionais e os múltiplos interesses da sociedade. Esse acorde tem como finalidade coordenar as iniciativas, criar condições sólidas de crescimento e obrigar os governantes de turno a cumprir metas claras.