Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
A Constituição brasileira de 1988 tem como uma de suas garantias principais o direito a educação de qualidade aos cidadãos. Entretanto, percebe-se que no atual sistema jurídico brasileiro não há o cumprimento desse direito, principalmente no que se refere aos desafios no processo de alfabetização. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, como também devido ao desinteresse estudantil. Logo, faz-se necessário a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os obstáculos para a consolidação dos benefícios constitucionais.
É revelante abordar, primeiramente, que a inércia do Poder Público é um entrave para o letramento da população mais pobre. Consoante ao pensamento do filósofo Jean-Jacques Rousseau, na medida em que o Estado isenta-se de assegurar os direitos fundamentais à vida, há um descumprimento do contrato social elaborado junto a uma sociedade. Nesse viés, essa insuficiência no aparato educacional em proporcionar escolas com infraestrutra adequada ao desenvolvimento educacional, tanto pela ausência de professores capacitados no interior dos estados nacionais quanto pela carência de materiais didáticos para os alunos, contribui para a exclusão social dos analfabetos, em diversos âmbitos da cidadania, em virtude da falta de prioridade do Governo em investir na educação.
Ademais, vale ressaltar que a insegurança diante da impossilidade de não saber ler e escrever tem reflexo direto na desistência escolar. Nesse sentido, a filósofa Simone de Beauvoir desenvolveu o conceito conhecido como “Invisibilidade Social”, que diz respeito ao processo de apagamento e de marginalização sofrido por determinados grupos excluídos. Nesse contexto, observa-se que o preconceito que substancial parcela da população tem em relação aos iletrados vem do anacrônico pensamento de quem não sabe os conceitos fundamentais de matemática básica e de leitura é “Burro”. Em função disso, o constragimento social e intelectual que a sociedade ainda perpetua, em pleno século XXI, representa um retrocesso para a coletividade que preza por tolerância.
Nota-se, portanto, que o analfabetismo tornou-se uma ameaça a dignidade dos brasileiros. Desse forma, cabe ao Ministério da Educação elaborar uma diretriz de investimentos em instituições de ensino nos vários municípios carentes, no qual contêm um grande índice de precariedade no sistema educacional, por meio da compra de novos equipamentos pedagógicos e da manutenção das bibliotecas, a fim de que, dessa forma, a problemática não seja mais uma preocupante realidade. Outrossim, o Estado deve facilitar as discussões acerca da importância da alfabetização, por meio de palestras realizadas ao vivo nas redes sociais dos ministérios que deverá contar a participação de pedagogos e sociólogos, no qual possuirá o propósito de democratizar o acesso ao ensino no país.