Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

No premiado filme “Central do Brasil”, lançado em 1998, tem-se a história de uma ex-professora que escreve cartas para analfabetos se comunicarem com suas famílias. De maneira análoga, o longa de mais de 20 anos atrás ainda retrata a realidade do Brasil, visto que, segundo o IBGE, 11 milhões de brasileiros são analfabetos. Isso ocorre tanto por questões de desigualdade social e evasão escolar, quanto por preconceito da sociedade como um todo.

Em primeira análise, como consta na Constituição de 1988, a educação é um direito de todos e deve ser garantida pelo Estado. Ainda assim, devido a desigualdade social que culmina no país, muitas crianças têm o seu direito de serem alfabetizadas impedido. Segundo o Índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade em um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Essa problemática prejudica especialmente jovens que se encontram nas periferias. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2019, o abandono escolar é oito vezes maior entre estudantes pobres. Estes indivíduos acabam abandonando a escola por motivos financeiros ou falta de estrutura para chegar até a escola, e muitos começam a trabalhar precocentemente para ajudar suas famílias.           Ademais, segundo o filósofo contemporâneo Mario Sergio Cortella, o Brasil é uma nação tão preconceituosa, que utiliza o termo analfabeto como ofensa. Diante disso, é destacável que o preconceito da sociedade faz com que pessoas analfabetas se sintam marginalizadas e desmotivadas a transformar positivamente suas vidas por meio da alfabetização. Nessa lógica, apesar do país dar a oportunidade de jovens e adultos que evadiram da escola voltarem a estudar e serem alfabetizados por meio do EJA - Educação de Jovens e Adultos - muitos não o fazem, como confirma o dado do INEP de que houve queda de 7,7% na matrícula de sujeitos nessa modalidade.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater os desafios do analfabetismo no Brasil. O governo deve, por meio de políticas públicas, investir na educação escolar das áreas mais pobres do país, dando condições igualitárias para que os brasileiros mais afetados não desistam da escola e se sintam motivados a estudar, tendo os recursos necessários para tal. Por meio de campanhas do Ministério da Educação em parceria com ONGs e com a mídia, a alfabetização deve ser incentivada, a fim de conscientizar a população da sua importância e combater o preconceito, estimulando que aqueles que desistiram da escola voltem a estudar. Somente assim, o país caminhará para erradicação do analfabetismo e todos os brasileiros serão capazes de escrever sozinhos cartas para suas famílias.