Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

No filme “O Estranho Mundo de Jack”, o protagonista é um esqueleto que vive na Cidade do Halloween. Durante o filme, ele conhece a Cidade do Natal e decide inserir o espírito natalino no seu universo, mas percebe que ninguém compreende de fato o seu significado quando transformam o Natal em Halloween por terem sido criados nesse meio. Fora da Ficção, percebe-se um contexto semelhante na alta taxa de pessoas analfabetas. Dessa forma, observa-se que o analfabetismo é um desafio no Brasil e persiste não só a questões socioculturais, mas também a ineficiência legislativa.

De primeiro plano, é importante destacar a questão sociocultural presente no problema. Conforme Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, por exemplo, uma borboleta dourada, embora a sua beleza, quando rodeada por mariposas, vai continuar tentando ser mariposa. Logo, é possível perceber que o analfabetismo é fortemente influenciado pela bolha sociocultural, uma vez que se as pessoas crescem inseridas em um ambiente social injusto, a tendência é adotar esse comportamente também, e gera, como consequência, a dificuldade de intervir em um problema como esse sem agir em sua base sociocultural.

Paralelo a isso, surge a ineficiência legislativa que intensifica a gravidade do problema. Nessa perspectiva, o filósofo John Locke defendeu que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis.” Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entando, a legislação não tem sido o suficiente para a resolução do problema, uma vez que o Estado não tem cumprido a sua função de garantir o acesso a educação para toda a população brasileira, o que torna a sua solução ainda mais difícil de ser alcançada.

Torna-se evidente, portanto, que medidas estrátegicas são necessárias para alterar esse cenário. Nesse sentido, é fundamental que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para debates sobre a alfabetização, junto com a presenção dos professores e especialistas no assunto. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos a comunidade, afim de que mais pessoas compreendam questões relativas a educação e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Dessa forma, os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira e as leis deixarão de ser impotentes diante dos costumes, contrariando a proposição de Maquiavel.