Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

O livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos retrata as vidas de sertanejos marginalizados e oprimidos pela sociedade por diversos fatores excludentes, dentre eles o analfabetismo. Sob essa perspectiva, a narrativa revela as dificuldades das personagens, por não saberem ler, em exercer tarefas fundamentais como se comunicar ou se expressar. Transpassado a ficção, fica claro que a realidade apresentada na narrativa pode ser associada àquela do século 21: da desigualdade social histórica como empecilho ao acesso a alfabetização e a falta de investimentos na educação pública e de qualidade no Brasil.

Em princípio, é válido ressaltar que a desigualdade social no Brasil é determinante acerca do acesso a educação, além de corroborar o avanço da exclusão social no país. Durante longos períodos da história brasileira, a população pobre não podia ou não conseguia, pela necessidade de trabalhar, frequentar as escolas. Como consequência, os analfabetos eram excluídos da política, por exemplo, não tendo direito ao voto e também eram incapazes de alcançar empregos com boa remuneração pela limitação de não saber ler.Nesse sentido, esse passado aumentou a disparidade social experimentada até os dias de hoje, a qual impede as classes desfavorecidas de ter acesso a alfabetização.

Simultaneamente, cabe destacar que a alfabetização é um direito básico garantido pela Constituição Federal de 1988 em seu artigo 205, principalmente por ser uma necessidade fundamental e, por conseguinte, caso ausente, um fator excludente. Todavia, na atualidade, a rede pública de educação, graças aos baixos investimentos governamentais, possui uma alfabetização precária e ineficiente. Tal fato pode ser constatado através dos dados estatísticos do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), os quais indicam que três em cada dez jovens e adultos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, pessoas incapazes de compreender textos simples. Logo, para combater esse problema através de uma educação eficaz faz-se primordial investimento.

Por fim, é evidente a imprescindibilidade de instaurar medidas para amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional do país, por meio de maiores investimentos na rede pública de educação com o objetivo de garantir uma alfabetização eficiente para todas as faixas etárias. Igualmente, faz-se imprescindível a criação de programas que facilitem o acesso às escolas por parte da população desfavorecida economicamente, para assim, assegurar esse direito fundamental a todos sem exclusão.