Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Em 1988, com a Constituição Federal, tornou-se um direito de todos os cidadãos brasileiros, a educação. Contudo, a taxa de analfabetismo ainda é altíssima, pois, mesmo em um país onde há educação gratuita, a falta de estrutura e investimento nas escolas de ensino básico e o incentivo precário à leitura, tornam o acesso à educação e, consequentemente, à alfabetização, um privilégio, e não um direito.

Em primeira análise, é válido destacar o desinteresse do Estado na educação, considerada, por muitos do poder executivo um gasto público e não um investimento. Em 2019, por exemplo, o Governo Federal reduziu em mais de 30% o investimento das escolas e universidades federais, segundo “G1”, o que gerou diversos protestos em todo o país. Enquanto os “gastos” em educação “empobrecem” os cofres públicos, o analfabetismo - que já alcança 7% da população com mais de 15 anos, segundo dados do Pnad Contínua - empobrece o povo brasileiro, que, sem saber ler e escrever, se quer pode conseguir um emprego. A cada dia mais, no Brasil, os direitos estão se tornando privados e, se não houverem mudanças, nosso país regredirá às outras consituições, nas quais o poder de voto, acesso à saúde e ao ensino superior e diversos outros direitos eram apenas para pessoas ricas e alfabetizadas.

Assim, não há como negar o desincentivo, das escolas, do governo e das famílias, à leitura, que, já não é democratizada, mas caminha para ser, ainda mais, inacessível. Segundo jornais da “RecordTV” e da “Globo”, o Ministro da Economia aumentou, em 2020, os impostos para importação e produção de livros no Brasil, gerando uma desigualdade sem precendentes. O acesso aos livros está se tornando cada vez mais precário e sem que haja, ao menos, a democratização do seu acesso, crianças, jovens e adultos, consequentemente, se incluirão no grupo de analfabetos funcionais, que já chega a 13% da população que concluiu o ensino médio, mas são incapazes de viver em sociedade. “Sem livros, sem leitura, meus filhos serão incapazes de escrever, inclusive, a sua própria história” - Bill Gates.

Tendo em vista, portanto, a inacessibilidade à educação no Brasil, cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Economia, democratizar o acesso aos livros, às escolas e à toda ferramenta de ensino, por meio do investimento em educação e tecnologia, simultaneamente - disponibilizando livros digitais, zerando impostos para livros físicos e construindo mais escolas de educação básica - para que, assim, as taxas de analfabetismo diminuam e as crianças e jovens  possam crescer e se inserir na sociedade, praticando seus direitos e diminuindo as desigualdades.