Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Na saga de livros “Desventuras em série”, os órfãos Baudelaire utilizam a leitura como refúgio e ferramenta para enfrentar adversidades. Em contrapartida, muitos brasileiros desconhecem os benefícios advindos do hábito de ler, principalmente na infância. Entretanto, a literacia familiar é imprescindível para a construção do hábito da leitura e para formação do indivíduo. Observa-se, pois, a premência do desenvolvimento de estratégias para incentivar a literacia familiar no Brasil.

Em primeira instância, a teoria da “Tábula Rasa” de Locke afirma que o homem nasce uma folha em branco a ser preenchida por experiências ao longo do tempo. Analogamente, no Brasil, muitos pais ainda são um “papel em branco”, no que se refere à proeminência da literacia familiar para o desenvolvimento do hábito de leitura e a alfabetização. Nesse sentido, a interação verbal, leitura dialogada e narração de histórias pelos pais são fundamentais para um aprendizado integral e para o incentivo ao gosto pela leitura e pelos estudos. Além disso, a adoção pela família de métodos didáticos no cotidiano, como a consciência fonológica, que utiliza o som das letras para ensinar a leitura, facilita a compreensão das narrativas literárias e pode consolidar o hábito de ler. Logo, é inegável a relevância da leitura em família para o aprimoramento de habilidades e desenvolvimento da prática de ler desde cedo.

Para além dessa reflexão, parafraseando o escritor modernista Drummond, a leitura é uma fonte inesgotável de prazer, apesar de alguns não terem essa sede. Sob essa ótica, é evidente a importância da leitura para a formação do indivíduo, embora não exista muito incentivo por parte dos pais. Nesse viés, o acompanhamento direto e ativo dos pais ou responsáveis no processo de escolarização das crianças e adolescentes é essencial para a formação integral da pessoa. Ademais, a literacia familiar é essencial para o estabelecimento de conexões entre pais e filhos, pois pode formar vínculos e emitir ensinamentos da moral e da ética, como nas fábulas. Assim, é notório que o acompanhamento familiar e as relações cotidianas com o ensino colaboram para a formação efetiva e integral do jovem.

Infere-se, portanto, que o processo de alfabetização efetivo e a parceria familiar são essenciais para a formação do indivíduo e o desenvolvimento do hábito da leitura. Desse modo, é mister que o Ministério da Educação promova seminários educativos, por meio de palestras e debates, em suas plataformas digitais, acerca de dicas de livros infantis e da importância da leituras dialogadas entre a família, com o fito de garantir um processo de alfabetização efetivo e a construção de jovens leitores críticos. Destarte, os futuros brasileiros adultos poderão ser comprometidos com os estudos por gosto.