Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 19/01/2021

Conhecida como “Cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal, foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros, inclusive o direito à educação. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que o analfabetismo no Brasil se configura como uma falha no princípio da isonomia. Sendo assim, percebe-se que a educação possui raízes amargas no país, devido não só à inércia estatal, mas também (02) a falta de inclusão social.

Deve-se destacar, de início, a falha governamental como um dos complicadores. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo. Conquanto, observa-se, no Brasil, um grande desserviço e distribuição desproporcional do governo que rompe com as defesas do filósofo iluminista, visto que o conhecimento não é distribuído em áreas pobres que necessitam de escolas com estrutura suficiente para ensinar estudantes a ler e escrever, impedindo, assim, de mais tarde esse sujeito ser analfabeto. Dessa forma, é inaceitável que em pleno terceiro milênio, uma boa parte da população não tenha acesso ao conhecimento, violando o que é exigido constitucionalmente.

Ademais, é fundamental salientar que a exclusão social contribui para o agravamento do analfabetismo. No livro“ Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Dessa maneira, é possível observar na obra do autor citado a semelhança com a realidade vivida no Brasil, a qual apresenta uma coletividade que exclui e explora os indivíduos que não foram alfabetizados. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com intuito de atenuar a falta de empatia por parte dos que detém o conhecimento.

Portanto, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Para isso, o Governo Federal junto aos governos estaduais devem promover nas áreas necessitadas políticas públicas de melhorias estruturais nas escolas, para oferecer uma educação qualitativa. Essa alternativa, especialmente, será feita a partir de verbas da União, provenientes do fundo rotativo orçamentário, com a destinação de alfabetizar e proporcionar o aprendizado para todos. Dessa maneira, essa mazela social será gravemente erradicada, pois, conforme Gabriel O pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro”.