Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 27/04/2021

A obra literária “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, ilustra uma sociedade separada em classes: aqueles que sabiam ler controlavam os analfabetos. A crítica do autor evidencia as consequências nocivas da falta de letramento, que, fora da ficção, é a realidade de muitos brasileiros. Com efeito, há de se combater os desafios do processo de alfabetização, promovendo a redução da desigualdade social histórica, bem como da defasagem educacional.

Diante desse cenário, durante o período da Colônia de Exploração, apenas a aristocracia - organização composta pelos nobres - tinha acesso à leitura e à alfabetização. Ocorre que, no Brasil contemporâneo, isso ainda persiste, visto que as crianças em situação de extrema pobreza não tem o privilégio de dar prioridade aos estudos, em virtude da escassez de comida e de recursos para a sua permanência na escola. Asssim, essa desigualdade evidencia um retrocesso e retoma a cruel realidade da colônia, e, enquanto tal problema se mantiver, o letramento não será garantida na primeira infância.

Nesse sentido Paulo Freire desenvolveu a obra “Pedagogia do Oprimido” e defendeu que a educação seria libertadora, bem como capaz de oferecer novas perspectivas aos indivíduos marginalizados. Todavia, a alfabetização tardia - aquela que ocorre após os 6 anos - pode prejudicar o ideal proposto pelo pedagogo já que o analfabetismo evidencia a defasagem educacional, inviabiliza a entrada no ensino superior e no mercado de trabalho. Inclusive, aqueles que são incapazes de escrever o próprio nome também serão privados de reivindicar melhorias de vida e estarão submissos à opressão denunciada por Freire, de modo que, embora o Brasil almeje tornar-se desenvolvido, é incoerente manter seu povo analfabeto.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, as escolas, em parceria com as prefeituras, devem cooperar para solucionar a escassez de recursos -principalmente de alimento das crianças-, por meio de projetos sociais que garantam refeições básicas e que sejam capazes de criar um ambiente favorável para a alfabetização até os 6 anos de idade. Essa iniciativa poderia se chamar “Alfabetização no tempo certo” e teria a finalidade de promover o acesso ao ensino de qualidade, de modo que meninos e meninas possam, em breve, experimentar a educação libertadora proposta por Paulo Freire.