Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 16/02/2021
A obra literária “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, ilustra uma sociedade separada em classes: aqueles que sabiam ler controlavam as analfabetos. A crítica do autor evidencia as consequências nocívas da falta de letramento, que, fora da ficção, é a realidade de muitos brasileiros. Com efeito, um caminho para garantir a alfabetização desde a primeira infância pressupõe redução de desigualdade social histórica, bem como da defasagem educacional.
Diante desse cenário, a concentração de renda dificulta que meninos e meninas tenham acesso ao sistema educacional nos primeiros anos de vida. Nesse viés, durante o período da Colônia de Exploração, apenas a aristocracia - organização composta pelos nobres - tinha acesso à leitura e à alfabetização. Ocorre que, no Brasil contemporâneo, isso ainda persiste, visto que as crianças em situação de extrema pobreza não têm o privilégio de dar prioridade aos estudos, em virtude da escassez de comida e de recurssos para a sua permanência na escola. Assim, essa desigualdade evidencia um retrocesso e retoma a cruel realidade da colônia, e, enquanto tal problema se mantiver, o letramento não será garantido aos brasileiros na primeira infância.
Nesse sentido, Paulo Freire desenvolveu a obra “Pedagogia do Oprimido” e defendeu que a educação seria libertadora, bem como capaz de oferecer novas perspectivas aos indivíduos marginalizados. Todavia, a alfabetização tardia - aquela que ocorre após os 6 anos - pode prejudicar ideal proposto pelo pedagogo, já que o analfabetismo evidencia a defasagem educacional, inviabiliza a entrada no ensino superior e no ensino superior e no mercado de trabalho. Inclusive, aqueles que são incapazes de escrever o seu próprio nome também serão privados de reivindicar melhorias de vida e estarão submissos à opressão denunciada por Freire, de modo que, embora o Brasil almeje tornar-se desenvolvido, é incoerente manter seu povo analfabeto.
Portanto, há de se buscar alternativas para garantir o letramento dos brasileiros. Para isso, as escolas, em parceria com as prefeituras, devem cooperar para solucionar a escassez de recursos - principalmente de alimento das crianças -, por meio de projetos sociais que garantam refeições básicas e que sejam capazes de criar um ambiente favorável para a alfabetização até os 6 anos de idade. Essa iniciativa poderia se chamar “Alfabetização no tempo certo” e teria a finalidade de promover o acesso ao ensino de qualidade, de modo que meninos e meninas possam, em breve, experimentar a educação libertadora proposta por Paulo Freire.