Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 25/03/2021
A obra “A menina que roubava livros” retrata a história de uma garota alemã apaixonada por literatura que vivia na época em que os nazistas proibiam o acesso ao livros e até mesmo os queimavam quando eram encontrados. Paralelamente, apesar de no Brasil a literatura ser, em tese, de domínio público, nota-se que não há grande interesse pela leitura. Isto ocorre, muitas vezes, devido aos inúmeros obstáculos que dificultam o processo de alfabetização da população brasileira. Cabe entender, portanto, de que forma a fragilidade do sistema de ensino e a ausência de incentivo familiar à educação coadunam-se no agravamento desta problemática.
Em primeiro lugar, é de extrema relevância destacar que a primeira Constituição do país, outorgada por Dom Pedro I durante o Período Imperial, determinava que a educação primária seria gratuita para toda a população brasileira. Em vista disso, nota-se que, apesar de existir um sistema público de ensino que ofereça a alfabetização, ainda há um alto índice de analfabetos, pois muitas escolas não proporcionam ensino de qualidade. Isto ocorre, principalmente, devido à falta de bons materiais didáticos, ausência de cantinhos de leitura e bibliotecas voltadas aos pequenos. Além disso, faltam também profissionais qualificados e especializados no processo de alfabetização, que tem boa didática e tornam a aprendizagem leve e divertida. Assim, crescem indivíduos desestimulados intelectualmente e até mesmo traumatizados, em decorrência do ensino fraco e de má qualidade.
Outrossim, é necessário pontuar que a ausência de estímulo familiar é um grande entrave para a alfabetização. Sob esse viés, o filósofo grego Platão defendia o conhecimento e propunha que as crianças fossem ensinadas por meio de fábulas, acreditando no poder das narrativas e da influência familiar. Isto posto, evidencia-se que a educação primária deve ocorrer não somente na escola, mas também no ambiente familiar. Ademais, a falta de pais leitores é um fator dificultante para o desenvolvimento do hábito da leitura na primeira infância, já que as crianças tendem a reproduzir os exemplos que recebem, tornando-se reflexo dos pais.
Portanto, faz-se necessário que medidas sejam tomadas de modo a reduzir a taxa de anlfabetismo entre os brasileiros. Para que isto ocorra, é preciso que o Ministério da Educação dê mais atenção à Educação Infantil, por meio da contratação de pedagogos e psicopedagogos especializados no processo de alfabetização, além da construção de bibliotecas infantojuvenis, proporcionando um ensino completo e de qualidade aos infantes. Além do mais, é muito importante que o corpo docente tenha um maior contato com a família dos alunos, para que a educação seja estimulada em casa e na escola. Assim, as crianças brasileiras farão proveito da leitura, tão apreciada pela “menina que roubava livros”.