Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 19/04/2021

No livro “O Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein evidencia que os cidadãos possuem seus direitos garantidos apenas na teoria. Sob essa ótica, nota-se que apesar de educação ser assegurada pela Constituição Brasileira como um direito fundamental dos indivíduos, na prática isso não ocorre. Nesse sentido, torna-se perceptível que existem inúmero fatores que dificultam o processo de alfabetização. Assim, é lícito afirmar que a exclusão educacional de um grupo social e a ausência de incentivo familiar contribuem para a perpetuação do analfabetismo no Brasil.

Em primeiro lugar, é de extrema importância analisar que, grande parcela dos analfabetos completos ou funcionais vêm de famílias de baixa condição financeira. Isto ocorre, com frequência, devido ao alto índice de evasão escolar dessa camada populacional, pois a partir de certa idade, as crianças começam a trabalhar para ajudar a família e, consequentemente, abandonam os estudos. Saliente-se ainda que, a primeira Constituição do país, outorgada por Dom Pedro I durante o Período Imperial, determinava que a educação primária seria gratuita para toda a população brasileira. Entretanto, nota-se que apesar de ser um dos caminhos que ajudaram a reduzir a taxa de analfabetismo no Brasil, a gratuidade do ensino não foi o suficiente para erradicá-la.

Ademais, outro fator agravante desta problemática é a ausência de incentivo familiar à educação, pois as crianças tendem a reproduzir os exemplos que recebem e, por isso, o estímulo deve ser iniciado em casa. De acordo com o filósofo Platão, “O conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.” Por este motivo, o processo de educação precisa ser prazeroso e estimulante, para que os infantes possam ter seus intelectos desenvolvidos de forma integral. Desta forma, é preciso se atentar à socialização primária, realizada pela família e escola, pois é a responsável por formar a base do indivíduo, já que é o primeiro contato da criança com o mundo exterior.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação tome providências para que o índice de analfabetos completos e funcionais seja drasticamente reduzido. Logo, as escolas devem estimular a alfabetização desde a primeira infância, por meio de cantinhos de leitura e materiais didáticos de qualidade. Somado a isto, as famílias devem influenciar as crianças a desenvolverem o hábito da leitura por meio do exemplo, pois os filhos costumam ser um reflexo dos pais. Somente assim será possível atenuar os entraves relacionados ao processo de alfabetização no Brasil.