Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 05/06/2021
Segundo a Constituição brasileira, é direito de todos os cidadãos o acesso à uma educação de qualidade. Entretanto, os atuais desafios no processo de alfabetização no país demonstram o fato de não haver exercício pleno da lei. Entre os fatores que agravam o problema, destacam-se o grande preconceito contra pessoas analfabetas e a evasão escolar, por conta do trabalho infantil. Sob tal óptica, entender os impactos dessa situação no Brasil é essencial.
Primeiramente, é importante ressaltar a existência de um preconceito acerca de indivíduos não alfabetizados. De acordo com o filósofo Mário Sérgio Cortella, “a nação brasileira atual é tão preconceituosa, que usa o termo ‘analfabeto’ como ofensa”. Tal fala é compatível com a realidade do país, no qual milhares de pessoas sofrem julgamentos apenas por não terem tido as mesmas oportunidades que o restante da população. Ou seja, ao fortalecer discursos de ódio contra indivíduos analfabetizados, o povo brasileiro demonstra não possuir empatia com cidadãos que vivem às margens da sociedade, sob escassez de recursos básicos. Dessa forma, aumentam-se as chances de persistência do problema, por conta da intolerância.
Ademais, a evasão escolar também contribui para o agravo da situação em questão, tendo como uma de suas principais causas a permanência do trabalho infantil. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, cerca de 1,7 milhões de crianças e adolescentes trabalham no Brasil. Em detrimento disso, em um momento no qual tais indivíduos deveriam estar aproveitando uma educação plena e de qualidade, a necessidade de prover renda às suas famílias impede tal processo. Por conseguinte, devido a falta de acesso à escola, aumentam-se as chances de essas crianças crescerem analfabetas.
Logo, ações para reversão do impasse são cruciais. Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Municipais de todo o país, deverão distribuir bolsas de auxílio social às famílias necessitadas, por meio de um censo realizado anualmente, que coletará as informações necessárias para confirmar a carência dessas comunidades, a fim de impedir a privação de um ensino de qualidade aos seus filhos, possibilitando um processo adequado de alfabetização. Desse modo, o direito previsto pela Constituição poderá ser cumprido.