Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 23/06/2021

Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é narrada a história de Fabiano e sua família, retirantes nordestinos. O protagonista desconfia que o salário que recebe de seu patrão está incorreto, mas não possui domínio suficiente para garantir isso e lutar por seus direitos. Fora da ficção, vê-se que um grande problema é capaz de tornar as pessoas mais suscetíveis a explorações semelhantes: o analfabetismo. Essa questão é um entrave para o Brasil, pois os desafios do processo de alfabetização trazem inúmeras comorbidades sociais, como um desfalque na dignidade humana, pela omissão do Estado, e uma maior evidência da desigualdade social que existe atualmente.

Em primeira análise, é necessário pontuar que o governo brasileiro não está cumprindo, de fato, o que é assegurado por lei, de modo que a população analfabeta tem seus direitos abalados. De acordo com o autor Gilberto Dimenstein, isso seria chamado de “cidadania de papel”, haja vista que a dignidade humana, que é descrita no artigo 1º da Constituição, não é garantida àqueles que tiveram um grande deficit no processo de letramento. Assim, é visível que quem não aprendeu a escrever o próprio nome, dificilmente saberá lutar por seus princípios e ter uma vida digna.

Ademais, é importante ressaltar que as dificuldades da literacia no país são um fator que evidenciam as grandes distinções sociais. Segundo o conceito de “Invisibilidade Social”, criado por Simone de Beauvoir, filósofa francesa, alguns grupos, como os analfabetos, sofrem um processo de apagamento e de marginalização perante a sociedade. Dessa forma, por serem menorizados, as pessoas que tiveram um obstáculo no processo de alfabetização têm menos vantagens, menos direitos assegurados e, consequentemente, “desaparecem” do âmbito social.

Portanto, vê-se que as adversidades no letramento da população e o consequente contingente de pessoas analfabetas são um desafio que precisa ser vencido. Para isso, urge que o Estado seja menos omisso e, por intermédio do Poder Executivo, que é responsável por executar as leis, juntamente com o Ministério da Educação, promova palestras em escolas, com educadores e pedagogos, a fim de mostrar aos alunos a importância da literacia. Além disso, esses órgãos governamentais devem assegurar os direitos dos que não são alfabetizados, com o intuito de cumprir o artigo 1º da Constituição e fazer com que estes não vivam em condições desiguais e sem dignidade como Fabiano e sua família.