Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 30/08/2021

A educação formal no Brasil tem início durante o período colonial, no qual os jesuítas chegam com a missão de catequizar os indígenas, mas para isso teriam que lhes ensinar a ler e escrever. Enquanto os indígenas tinham aula em locais improvisados, os filhos dos colonos possuíam  ambientes estruturados para o ensino. Diante de tais fatores, é notório que os desafios para afalbetização no Brasil permeia caminhos históricos e há fatores determinantes que dificultam a efetiva alfabetização dos indivíduos, como fatores socioeconômicos, má qualidade de ensino e infraestrutura.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a desigualdade de oportunidades no âmbito educacional ocorre principalmente em virtude das relações socioeconômicas. Posto isso, muitas pessoas evadem da escola para trabalhar em empregos informais, uma vez que não possuem uma boa situação financeira e não conseguem conciliar trabalho e estudos. Tal fator é evidenciado no livro Quarto de Despejo, em que a protagonista Carolina Maria de Jesus não possui escolaridade, em razão do desequilíbrio econômico, em que a classe baixa geralmente se submete ao subemprego para sustentar ou ajudar seus familiares e acabam permanecendo nessas condições, uma vez que a falta de um nível de escolaridade implica em trabalhos cada vez mais informais e com salários precários.

Por conseguinte, a também má qualidade de ensino e infraestrutura, o que concerne no desinteresse de muitos estudantes que não possuem um incentivo vindo do ambiente escolar. Diante do exposto, a vivência tida pelos indígenas reflete na atualidade, uma vez que a maioria das instituições públicas não possuem uma boa infraestrutura, pois não há um investimento intensificado. Além disso, muitos educadores não diversificam as formas de ensino-aprendizagem, o que contribui para o desinteresse dos discentes. Em paralelo, o educador Paulo Freire acredita que é preciso valorizar o conhecimento do mundo dos educandos e alfabetizá-los usando elementos comuns a eles, uma realidade distante durante a colonização, já que os indígenas tiveram que se adequar aos jesuítas, e nesse sentido, a educação atual também possui rastros do passado.

Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para superar o quadro atual. Urge que o governo em parceria com o MEC, por meio de verbas governamentais, promovam bolsas estudantis para discentes com baixa renda a fim de garantir a permanência destes no ambiente escolar. Outrossim, é mister que essas esferas invistam na capacitação dos professores para que eles possam aprimorar suas práticas educativas e suprir o pensamento de Paulo Freire sobre a educação. Além disso, faz-se necessário que eles invistam em reformas nas escolas, para uma melhor infraestrutura que incentive os alunos. Sendo assim, a realidade educacional no Brasil poderá ser mais equilibrada.