Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 16/09/2021
A Constituição federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a educação de qualidade para todos os cidadãos. Entretanto, na prática, essa garantia não é plenamente efetivada no corpo social, uma vez que encontram-se desafios no processo de alfabetização no Brasil. Esse nefasto cenário ocorre não só pela negligência estatal, como também devido ao trabalho infantil presente na sociedade. Dessa forma, faz-se necessária uma imperiosa análise dessa conjuntura.
É importante ressaltar, a princípio, que a omissão do governo federal vai de encontro com a problemática. Haja vista que, a precária qualificação dos profissionais de ensino em lecionar os estudantes com deficiências físicas e intelectuais, por exemplo, crianças com sindrome de down, evidencia um deficitário sistema educacional, fruto da ineficiência estatal perante essa situação. Tal lacuna no processo de aprendizado, de certo modo, pode colaborar para a formação de jovens analfabetos, sendo, por sua vez, uma aspecto que impacta massivamente na qualidade de vida desses, os quais estão suscetíveis à exclusão social e à falta de capacitação profissional. Dessa maneira, uma analogia com a citação de Paulo freire, a qual menciona: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, mostra-se possível, dado que o papel das escolas é essencial para a mudança desse quadro, e, consequentemente, para o pleno exercício da população.
Ademais, vale destacar que o trabalho infantil contribui para a permanência deste problema. Tendo em vista que, em decorrência da mão de obra infantil, fruto do desequilíbrio social, geralmente, as crianças e os adolescentes em situação de pobreza estão propensos à evasão escolar, sendo, assim, um fator que resulta no aumento do analfabetismo funcional de jovens brasileiros. Tal panorama, de certa forma, interfere na construção do senso crítico do indivíduo vulnerável, bem como dificulta a inserção desse no mercado de trabalho, em razão do déficit informacional causado pela ausência do processo de alfabetização. Logo, percebe-se que a desigualdade social é capaz de limitar a própria cidadania da pessoa, o que, por consequência, torna crucial medidas que coíbam essa mazela, já que, de acordo com o IDH ( Índice de Desenvolvimento Humano), o Brasil é oitavo país mais desigual do mundo.
Portanto, fica claro que atitudes para reversão desta problemática são fundamentais. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, grande poder transformador, capacitar os professores para ensinar os alunos com deficiência, os surdos, por exemplo, bem como fortalecer o sistema educacional, o qual deve incentivar a permanência do estudante na escola, em função de sua necessidade, por meio de palestras e debates, a fim diminuir os empecilhos do processo de alfabetização no Brasil. Feito isso, será possível a construção de uma nação que desfrute dos elementos elencados na Magna Carta.