Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 02/11/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu ARTIGO 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, haja vista que, segundo o jornal BBC, a taxa de analfabetismo no Brasil atinge cerca de sete por cento da população. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à vulnerabilidade socioeconômica, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.
Nesse sentido, é válido destacar a suscetibilidade econômica como fator pertinente à ocorrência do analfabetismo no país. Nessa lógica, de acordo com o jornal CNN, em geral, as pessoas que não sabem ler e escrever estão abaixo da linha da pobreza, as quais abandonam os estudos para ajudar no sustento do lar. À vista disso, observa-se que a realidade socioeconômica do analfabeto brasileiro é materializada na exclusão dos mais pobres ao acesso à educação, dado que essa camada social menos abastada, infelizmente, precisa escolher entre estudar ou complementar a renda familiar. Dessa maneira, tem-se a situação financeira não apenas como obstáculo à erradicação dos índices de analfabetismo, mas também como promotora do aumento da desigualdade social no país.
Além disso, é imprescindível salientar a omissão da esfera pública em exercer ações que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar o bem-estar. Diante disso, conforme dados do jornal BBC, o Estado brasileiro tem diminuído, paulatinamente, os investimentos na área educacional. Percebe-se, assim, que o alheamento governamental mostra-se como uma atitude pouco moral à educação, visto que o setor público abstém-se de cumprir o seu papel, o qual é salvaguardar o equilíbrio social. Desse modo, o analfabeto brasileiro sofre em função da negligência estatal e, por consequência, tem seus direitos básicos, elencados na Carta Magna, bloqueados.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de políticas de redistribuição de renda, disponibilizar recursos financeiros aos mais pobre, com o objetivo de reduzir as desigualdades socioeconômicas. Paralelamente, ele deve dispor de sólidos investimentos em programas educacionais já existentes, que visem não só à diminuição da taxa de analfabetismo no país, mas que também acompanhem os alunos de forma constante, a fim de melhorar o rendimento estudantil e de reduzir o abandono escolar. Dessa forma, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer e que respeite os direitos essenciais listados na Constituição.