Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 12/11/2021
O Plano Nacional de Educação (PNE) visa, até 2025, a erradicação total do analfabetismo e a redução em 50% das taxas de analfabetismo funcional. Todavia, é notório que o Brasil ainda é palco de inúmeros desafios relativos ao processo de alfabetização que dificultam o cumprimento dessa meta, como, por exemplo, a dificuldade de acesso a uma educação de qualidade. Desse modo, tal situação é resultado tanto das disparidades econômicas e raciais quanto da evasão escolar.
Primeiramente, o desfrute de experiências intelectuais favorece o desenvolvimento das capacidades do estudante inerentes à escrita e compreensão textual. Entretanto, a educação do país é marcada pelas desigualdades, já que o ensino gratuito, decorrente da proclamação da independência, não representou investimentos nas escolas públicas, afetando significativamente as camadas populares. De forma análoga, no século XXI, a fruição de uma boa educação é desigual e atrelada a condições econômicas, pois, com a defasagem do sistema educacional público, o acesso a oportunidades efetivas de alfabetização depende não só dos gastos com um ensino de qualidade, como também do contato com a leitura. Consequentemente, os desafios para pobres e negros são maiores, posto que constituem 8,9% da população analfabeta, conforme a Pnad Contínua Educação 2019, revelando, assim, a desigualdade de cunho racial no usufruto de experiências de cunho intelectual e cultural.
Outrossim, o fenômeno da evasão escolar, motivado pela falta de identificação com as práticas de ensino, é outro fator que influencia nas dificuldades de alfabetização e erradicação do analfabetismo. Logo, consoante Pierre Bordeau, sociólogo francês, o tratamento igualitário promovido nas escolas é um perpetuador de injustiças, uma vez que não leva em conta as diferenças de origem social e suas implicações na socialização do conhecimento. Dessa maneira, o sistema educacional brasileiro, ao ignorar a diversidade sociocultural dos estudantes, também é responsável por perpetuar tais injustiças, dificultar a aprendizagem e, portanto, reforçar o desinteresse do aluno, repercurtindo na evasão escolar. Por conseguinte, há a interrupção dos processos de alfabetização funcional e letramento, sendo imprescindíveis reformas na educação para que o Brasil consiga cumprir as metas presentes no PNE.
Diante disso, para que a nação reduza os desafios de alfabetização, é dever do Ministério da Educação criar o Plano de Alfabetização Plena. Esse plano, mediante o estabelecimento de maiores investimentos para as escolas públicas e de aulas especiais acerca das competências linguísticas, conectadas com a realidade do aluno, irá reduzir as disparidades educacionais, bem como a evasão escolar provocada pelo desinteresse do estudante. Tais aulas, ministradas por professores, deverão ocorrer bimestralmente e, por essas vias, o Brasil estará mais perto de concretizar os objetivos do PNE.