Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 02/08/2022

O artigo 6° da Constituição Federal fixa que a educação visará “o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Porém, tais aspectos são negligenciados, sobretudo no processo de alfabetização, em função da construção precária de mão de obra para suprir as necessidades fiscais do Estado. Desse modo, é importante analisar as dificuldades que impedem a erradicação do analfabetismo.

É visível, de início, que a precarização da educação aflige a formação educacional das pessoas que vivem em situação de pobreza e quanto ao seu exercício da cidadania. Isso acontece, porque, apesar de serem iguais aos demais brasileiros oficialmente, são escanteados da ação e dos benefícios do cidadão no mundo real. A “educação bancária” - termo discutido por Paulo Freire em “Pedagogia da Autonomia” -, que só deposita conhecimento e não permite aos discentes uma leitura de mundo, dificulta a apreensão de conhecimento e de sua aplicação no ambiente, afetando o desenvolvimento do senso crítico.

Ademais, a falta de ensino de qualidade aos brasileiros se comporta como um fator para a dominação de massas e estabilização da hierarquia social. Isso acontece, pois, quando uma população têm baixa escolaridade, fica mais difícil desenvolver senso crítico - podendo acreditar em informações falsas, segundo o Jornal da USP -, aceitando condições desumanas de trabalho, por exemplo. Assim, o desinteresse estatal em construir um ensino básico, atingida no final dos anos 90 - dá chances ao crescimento do analfabetismo e a má qualidade de vida social dos brasileiros.

Portanto, nota-se a necessidade de intervenção para a diminuição do analfabetismo. Para isso, é fundamental que o MEC intensifique os programas vigentes para alfabetização em larga escala, pois poderão alcançar pessoas em idade escolar, que abandonaram a escola ou que estão no grupo de analfabetos funcionais. Tal ação deve ocorrer por meio das secretarias municipais de educação, por exemplo, já que são mais próximas e entenderão as necessidades de cada instituição da população, a fim de que seus munícipes sejam qualificados e reais cidadãos. Afinal, é chegado o momento de assegurar, na realidade, acesso a educação, desenvolvimento pessoal, profissional e social de maneira equitativa.