Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 06/10/2022
Convém ressaltar, a princípio, que o cenário hostil supracitado acomete o que sustenta a estrutura jurídica do país, visto que, a Contituição Federal assegura que o ensino é um direito de todos e dever do Estado. Contudo, é desesperançoso notar que essas diretrizes não são plenamente aplicadas e, para comprovar isso, é só analisar dados divulgados pela Unesco, que confirma cerca de 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, colocando o Brasil em oitavo lugar no ranking mundial de analfabetismo. Nesse viés, é perceptível que o governo não promove planos de ação para incentivar os indivíduos a adiquirirem uma base educacional, para assim, conhecer e lutar por seus direitos. Sob essa ótica, ocorre um risco da norma apresentada ser extinta e reitera o que Dante Alighieri, escritor italiano, expressa: “as leis existem, mas não há quem as apliquem”. Tal panorama, configura-se como desintegrador e não pode ser negligenciado.
Outrossim, é importante pontuar que as desigualdades sociais e a elitização do sistema educacional são outros fatores que contribuem para a perpetuação dessa problemática. Nesse sentido, é lícito referenciar a “Teoria de Habitus” do sociólogo francês, Pierre Bourdieu, a qual alega que o povo tende a incorporar uma determinada estrutura, de modo a naturalizá-la e reproduzí-la. De fato, desde o período colonial, apenas os privilegiados tinham acesso às escolas e podiam ser alfabetizados, ainda hoje essa triste realidade perdura, dado que, segundo o IBGE, maior parte dos analfabetos são pobres e negros. Logo, essa situação fomenta a marginalização, pois o domínio do letramento é condicionante para a participação cultural, socioeconômica e política, principalmente no tempo tecnológico que o mundo se encontra.