Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 26/09/2023
A obra literária “A Menina que Roubava Livros”, de Marcus Zusak, conta a história de Liesel Meminger, uma garota de nove anos que, devido à falta de recursos financeiros de sua família, enfrenta empecilhos para ser alfabetizada. Fora da ficção, no Brasil, o processo de alfabetização é um desafio. Isso se deve, sobretudo, à evasão escolar e a falhas governamentais.
Em primeiro lugar, é importante destacar o abandono escolar como fator que contribui a analfabetização existente. Alarmantemente, a existência dessa conjuntura está diretamente ligada à desigualdade social. Conforme uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os jovens com maior risco à evasão são os de baixa renda, forçados precocemente ao mercado de trabalho. Nesse sentido, muitos estudantes precisam deixar as escolas para ajudar no sustento de seu lar. Por conseguinte, não conseguem priorizar os estudos.
Outrossim, é válido salientar o descaso estatal como agente que dificulta o ensino. Neste contexto, fica evidente a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas, tais como programas de incentivo à permanência escolar, para combater o analfabetismo no país. Segundo as ideias do filósofo John Locke, essa circunstância configura-se como uma ruptura do “contrato social”, visto que o Estado, mediante a má distribuição dos recursos públicos, não cumpre a sua função de assegurar que todos os cidadãos tenham acesso à educação de qualidade e a oportunidades iguais de aprendizagem.
Portanto, é preciso aplacar esse impasse. Logo, urge que o Ministério da Educação, como responsável pelo bem-estar educacional, juntamente com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), por meio de projetos sociais, ofereça aos alunos em situação de vulnerabilidade econômica, bolsa permanência na rede pública de ensino, a fim de que a questão do ensino da escrita e leitura seja resolvida. A partir dessa ação, poderá ser consolidado um país menos desigual e mais digno.