Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 27/10/2024
Carolina Maria de Jesus, em seu livro Quarto de Despejo, exalta a escrita como única salvação em meio à crueldade da fome e da vida na favela. Em consonância com a percepção da autora, o poder da palavra é discutido desde a filosofia clássi-ca, como meio fundamental para o exercício da cidadania. Apesar das evidências, entretanto, a alfabetização de crianças e adultos continua a ser um desafio no Bra-sil, por falta de políticas públicas que sejam capazes de atingir, de forma igualitária, a todas as camadas da sociedade.
Conforme a última edição da pesquisa Alfabetiza Brasil, só 4 em cada 10 crianças no 2º ano do fundamental estavam alfabetizadas em 2021. Tal número está muito aquém do estabelecido pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4, sobre e-ducação de qualidade, e pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa — em vigor desde 2013, mas ainda longe de atingir a meta de ter 100% das crianças alfabetizadas na idade correta. Isso mostra que, apesar de assumir formalmente o compromisso com a educação frente a órgãos internacionais, as ações do governo brasileiro para cumprir essas metas têm sido insuficientes.
Por outro lado, a taxa de alfabetização de adultos no Brasil, conforme o Censo De-mográfico, subiu de 74,5% em 1980, para 93% em 2022. Apesar do avanço, persis-tem acentuadas desigualdades regionais: dos mais de 11 milhões de brasileiros analfabetos na idade adulta, a maior parte se concentra nas regiões Norte e Nor-deste. Assim, fica evidente que o problema do analfabetismo no Brasil tem sido continuamente negligenciado e tratado com políticas ineficazes.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o problema. Cabe ao Ministé-rio da Educação ampliar a oferta de educação infantil em tempo integral nas esco-las públicas em todos os estados brasileiros, com ações direcionadas às crianças de famílias carentes. Já para a educação de jovens e adultos, é preciso aumentar a o-ferta dos níveis de alfabetização, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, a-lém de promover campanhas que objetivem desestigmatizar a EJA e eliminar pre-conceitos que impedem a busca por educação tardia. Só assim, finalmente há de promover a dignidade e da cidadania plena, garantindo a todos a emancipação por meio da leitura e da escrita.