Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 28/10/2024
Em seu poema “No meio do caminho”, Carlos Drummond de Andrade retrata a existência humana repleta de obstáculos representados pela alegoria da pedra no caminho. Relacionando à metáfora com a atualidade, percebe-se que ainda há implicações na alfabetização de crianças, o que impacta a sociedade brasileira. Logo, deve-se analisar como o déficit na educação pública e a desigualdade social influenciam na perpetuação desses problemas.
Previamente, é importante ressaltar como o déficit do ensino público afeta diretamente no processo de alfabetização infantil. De acordo com o economista Sir Arthur Lewis, a educação não é uma despesa, e sim um investimento com garantia de retorno. No entanto, o cenário nacional se distancia da perspectiva do britânico, visto que há uma defasagem na educação pública ao se tratar de infraestrutura e de formação adequada aos docentes. Nesse sentido, a falta de políticas públicas voltadas à educação implica na não resolução da questão abordada.
Ademais, as disparidades sociais também corroboram com a perpetuação da temática. Sob a ótica do escritor George Orwell, “todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. Em paralelo à escrita, observa-se o quanto a acentuação da desigualdade afasta as crianças do processo de aprendizagem. De modo que as altas taxas de analfabetismo estão nas camadas vulneráveis, evidenciando a estrutura excludente que está intrínseca no país.
Portanto, faz-se necessário romper as barreiras da alfabetização. Para isso, é preciso que o Estado, por meio do poder legislativo, crie leis que implementem cursos extracurriculares dentro da carga horária dos professores, a fim de capacitá-los ainda mais. Isso será feito através de uma anterior consulta pública e votação no Congresso. Além disso, o Ministério da Educação, em conjunto com as esferas municipais, precisa investir na infraestrutura das escolas, principalmente em áreas rurais e periféricas, com o intuito de ofertar bem-estar para os alunos. Sendo assim, a “pedra” sairá do caminho e será possível alcançar uma educação igualitária para todos.