Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 02/11/2024
No livro “Brasil, País do Futuro”, Stefan Zweig expressou confiança no desenvolvimento do Brasil. No entanto, décadas depois, o país ainda enfrenta desafios significativos, sendo a deficitária alfabetização um grande obstáculo ao progresso. Por certo, a negligência estatal e a omissão social são as principais causas dessa persistência.
A insuficiência da ação estatal em relação ao analfabetismo é evidente. Nicolau Maquiavel argumenta que o principal objetivo do governante é a manutenção do poder, relegando a busca pelo bem comum. Observa-se, portanto, um descaso governamental com poucos investimentos em infraestrutura educacional e formação de professores da educação básica, pois políticas voltadas para essa questão não oferecem retorno eleitoral significativo. Grande parte da população não enxerga analfabetismo como prioridade e, por isso, não apoia governantes que proponham soluções para esse problema. Como resultado, muitas pessoas concluem a escola sem a habilidade básica da leitura e escrita, favorecendo um ciclo de pobreza e exclusão social.
A omissão social diante da alfabetização deficiente contribui significativamente para sua perpetuação. Hannah Arendt, em sua teoria da “Banalidade do Mal”, sustenta que a sociedade se cala perante determinados problemas sociais, naturalizando-os. A maioria da sociedade enxerga analfabetização como algo banal e de baixa relevância, sendo escassas as discussões sobre o tema no cotidiano. Com isso, há a normalização de pessoas sem saber ler e escrever e pouca pressão da sociedade no governo para mudança desse paradigma, contribuindo para a persistência do problema.
Portanto, cabe ao Estado, detentor de recursos para a transformação social, promover campanhas de conscientização popular, como “Alfabetização é Futuro”, por meio de oficinas educativas e comerciais televisivos, a fim de mitigar os impactos do analfabetismo. Além disso, a mídia deve ampliar a divulgação dessa temática para pressionar o governo a superar a inércia diante do problema. Assim, o Brasil poderá finalmente trilhar o caminho para se tornar o “país do futuro” idealizado por Zweig.