Desafios do sistema de segurança pública no Brasil
Enviada em 25/06/2026
A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 144, que a segurança pública é dever do Estado e direito de todos. Contudo, a realidade brasileira revela um cenário marcado pelo aumento da violência e pela sensação de insegurança, evidenciando o distanciamento entre a norma e a prática. Nesse contexto, a desigualdade social e a fragilidade das políticas de prevenção figuram como entraves à garantia desse direito.
Em primeira análise, a desigualdade socioeconômica contribui significativamente para o agravamento da violência. O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que a exclusão social gera indivíduos marginalizados, privados de oportunidades e de perspectivas de ascensão. No Brasil, a falta de acesso à educação, ao emprego e ao lazer torna muitos jovens mais suscetíveis ao aliciamento por organizações criminosas, perpetuando um ciclo de criminalidade e insegurança.
Além disso, a deficiência das políticas públicas de segurança intensifica o problema. Conforme defendia o filósofo Thomas Hobbes, cabe ao Estado garantir a ordem e proteger os cidadãos. Entretanto, a insuficiência de investimentos em inteligência policial, prevenção e ressocialização de detentos compromete a eficácia do combate à violência. Dessa forma, a atuação estatal torna-se limitada diante da complexidade da criminalidade contemporânea.
Portanto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com os governos estaduais, deve ampliar os investimentos em inteligência policial e em programas sociais voltados à educação e à qualificação profissional de jovens em situação de vulnerabilidade, por meio da destinação de recursos públicos e da criação de projetos comunitários. Ademais, é necessário fortalecer as políticas de ressocialização no sistema prisional, a fim de reduzir a reincidência criminal. Assim, será possível aproximar a realidade brasileira do que determina a Constituição, garantindo maior segurança à população.