Desafios do sistema de segurança pública no Brasil

Enviada em 26/09/2018

Os seres humanos constroem sua história, mas não da maneira como querem por há situações anteriores que condicionam o modo como ocorre essa construção. Essa ideia, parafraseada de Karl Marx, corrobora o fato de que as ações individuais são limitadas à essência, na qual o sujeito está inserido. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para os desafios da segurança pública no Brasil, é nítido a influência da construção social sobre essa problemática. De modo que, é pontual não só observar o detrimento de investimento em áreas prioritárias em razão da segurança como atenuador dessa problemática, mas também a falta de reconhecimento das polícias pelo povo.

Em primeira abordagem, é importante compreender que, de maneira recorrente historicamente, há o detrimento de áreas de investimento, como educação e saúde, em razão dos investimentos em segurança. Nessa perspectiva, confirma-se a perspectiva de Marx, na medida em que a construção do corpo social no passado configura um presente pouco efetivo no caso dessa problemática. Vale ressaltar que, embora investimentos em segurança são significativamente importantes, devem ser observador apenas como uma medida paliativa, sendo a educação a real medida para se reduzir a criminalidade a longo prazo. Vê-se, assim, que somente uma redivisão de áreas prioritárias de investimentos há a possibilidade de se fortalecer a segurança pública no futuro do país.

Outro ponto relevante, nesse cenário, é como a falta de reconhecimento das polícias pelo povo atenua o problema, de forma a desrespeitá-los e desestimulá-los em seu trabalho. Dessa maneira, fundamenta-se a percepção de Zygmunt Bauman, pois em sua obra “O mal-estar na pós modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que o corpo social não enxerga a falta de reconhecimento como problema, possibilitando sua recorrência por entre as futuras gerações do corpo social brasileiro. Aliás, não se pode negar que, somente mediante mudanças esse paradigma pode ser quebrado.

Haja vista as problemáticas decorrentes dos desafios da segurança pública, urge a necessidade de medidas serem tomadas. É fundamental que a Receita Federal redivida o aporte financeiro entre as diversas áreas, como priorizando educação, de modo a diminuir a violência, sendo cada vez menos necessário tomar medidas de segurança, na maioria das vezes somente paliativas. Ademais, é papel dos Ministérios da Segurança e da Cultura promover campanhas de valorização policial, por meio das  estruturas midiáticas, de forma a possibilitar e facilitar a realização de suas tarefas. Com essas iniciativas, a sociedade passa a seguir o alerta lançado por Marx, e construir, de fato, uma sociedade como sujeito.