Desafios do sistema de segurança pública no Brasil

Enviada em 30/09/2018

A obra intitulada “A morte de Ivan Ilitch”, de Lev Tolstói, discorre a respeito da falta do senso de coletividade e crítica ao individualismo. Apesar de toda a subjetividade, a trama serve como um gancho para abordar sobre os impasses encontrados no sistema de segurança pública, a partir do momento que é corroborada a dicotomia existente entre cumprimento do legislativo e má gestão. Dessa forma, compreender os obstáculos do quesito abordado, eis um desafio à contemporaneidade.

Considera-se, antes de tudo, a crise que a nação brasileira enfrenta. De acordo com o filósofo Jurgen Habermas, a consolidação de uma “ética da discussão” corrobora a implementação de âmbitos morais. Nesse contexto, a máxima postulada por Habermas caminha em sentido retrógrado ao tratar-se da problemática, uma vez que qualquer indivíduo tenha noção da situação caótica no setor econômico e político do Brasil e, consequentemente, na permanência da violência no meio social. Pois, a administração de um país dissimula um fértil terreno para obter melhoras ou pioras no segmento da segurança. Tal fato é corroborado ao citar os dados do jornal “El País”, no qual o Brasil não consegue resolver 10% dos casos de homicídio, refletindo ativamente no agravamento da temática.

Analisa-se, também, a construção de uma ótica dominante que perde a oportunidade de gerar uma conduta ética. Grupos de profissionais importantes da área de segurança que praticam atos ilegais como, desvio de verbas, auxílio na perpetuação das facções, tráfico de armas e drogas são alguns dos mais variados exemplos que contribuem para o crescimento da problemática. Concomitantemente, a conjuntura social dispões de amplos mecanismos para combater esse mazela social, uma vez que a corrupção generalizada dissimula a perpetuação do tema abordado, bem como o incumprimento dos direitos garantidos no Art. 144° pela Constituição Federal Brasileira.

Fica claro, portanto, que fazem-se necessárias medidas para tornar viável a garantia dos direitos básicos e permanência da integridade humana. O Governo, junto às ONGs, deve investir e fiscalizar as leis já existentes, por meio do uso de tecnologia e monitoramento mais rigoroso, bem como a contratação e seleção de profissionais qualificados, além de investir na criação de centros comunitários que visem a integração social com base na educação e lazer - dado que o setor educacional é essencial para o crescimento moral e ético - com oficinas de teatro, música, dança e esportes, utilizando o dinheiro dos impostos para que tais medidas sejam efetivadas. Também, é de suma importância que a mídia, como grande formadora de opiniões, difunda uma cultura de criticidade, com dados, matérias jornalísticas e documentários. Só assim, com a mobilização de um todo, haverá mudanças.