Desafios do sistema de segurança pública no Brasil
Enviada em 18/03/2019
Uma bomba atômica por ano. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de mortes provocadas pela explosão da bomba nuclear em Nagasaki, no Japão, em 1945, corresponde à quantidade de assassinatos cometidos, em 2016, no Brasil: mais de 61,5 mil. Esses dados evidenciam a ineficácia do sistema de segurança pública brasileiro, que encontra desafios para conseguir exercer sua função. Desse modo, é de fundamental importância avaliar como a desigualdade de acesso à educação de qualidade e as dificuldades da gestão pública são empecilhos para uma nação segura.
Em primeiro plano, quando o filósofo Immanuel Kant afirma que o homem é aquilo que a educação faz dele, destaca-se a importância da formação educacional para a redução da violência, uma vez que ela auxilia a construção do cidadão como ser social e qualifica os jovens para o mercado de trabalho. Porém, o ensino brasileiro, principalmente de regiões carentes, carece de atividades que ensinem os princípios sociais, além de não formar jovens capacitados para conseguir um emprego. Assim, sem perspectiva, muitos indivíduos acabam recorrendo ao mundo do crime, aumentando os índices de criminalidade, afetando o sistema público de segurança.
Coincidentemente à questão educacional, segundo uma pesquisa realizada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016, o Brasil gasta 1,5% do PIB em seguridade pública, sendo que países desenvolvidos, como a França, gastam cerca de 2,0% do PIB. Sob esse viés, observa-se que o investimento nessa área é insuficiente para suprir a demanda dos recursos necessários - como, carros de patrulha, profissionais adequados e tecnologias- para manter a segurança de toda uma população. Além disso, a falta de uma gestão integrada, entre representantes de bairro, município e estado, dificulta os processos de investigação, por exemplo, prejudicando a manutenção da paz.
Dado o exposto, conclui-se que é de essencial relevância a resolução dessa problemática. Dessa maneira, para que os jovens aprendam as noções de sociedade e convivência, é necessário que o MEC torne obrigatório - e fiscalize com frequência - o ensino de aspectos da vida coletiva, desde o ensino básico, por meio de atividades interativas e palestras com profissionais. Além disso, o MEC deve com auxilio de ONGs promover campanhas em comunidades que insiram os jovens no meio escolar para que se distanciem do mundo do crime, e recebam qualificação para o mercado do trabalho. Somado às melhorias educacionais, é fundamental um maior investimento à segurança pública, com mais verba e maior integração entre os cidadãos, prefeituras e governos para compartilhamento de informações e tecnologias. Assim, teremos uma nação mais segura e desenvolvida.