Desafios do sistema de segurança pública no Brasil
Enviada em 17/03/2019
Segundo o jornal “El País”, ao comparar os assassinatos registrados no Brasil a guerras, terrorismo e conflitos internacionais, foi constatado que, no território brasileiro, ocorrem mais mortes que na Guerra da Síria, sendo o país que mais mata no século XXI. Esse dado alarmante está intrinsecamente relacionado ao sistema de segurança pública aplicado nacionalmente, o qual apresenta pouca eficiência por enfrentar desafios tais quais o despreparo dos agentes de segurança e a desigualdade social vigente no Brasil.
Em primeiro plano, é notório que o despreparo em relação à conduta de agentes de todas as esferas de segurança pública configura desafios para o melhor funcionamento da mesma. Desde juízes a policiais, observam-se desvios de comportamento, devido a má formação e falta de acompanhamento e avaliação psicológica oque prejudica o bom desempenho desses em atividade. Prova disso parte da análise dos dados levantados pela Anistia Internacional que comprovam que o Brasil não só é o país onde mais se mata agentes de segurança pública como também é onde mais esses acabam por ceder á fragilidade emocional, ocasionando na morte de muitos indivíduos inocentes. Dessa maneira, é formada uma encruzilhada, uma vez que, para responder à violência, gera-se mais violência e, consequentemente, a insegurança da população mesmo com a presença de policiamento.
Outrossim, é válido observar que a falha de comunicação e troca de informações entre residentes de zonas de risco e governo, presente no território está diretamente relacionada ao crescimento da violência, mesmo com o sistema de segurança em prática. Devido a crise de segurança, recai sobre algumas regiões um contexto de duplo poder: o poder da União e da rede de criminosos formada em tal área. Sequencialmente, o governo inicia uma guerra ao terror sem de fato compreender o funcionamento e a lógica daqueles que exercem o poder paralelo, como os moradores da localidade entendem. Infere-se assim, que a não consolidação de uma relação de troca entre essas pessoas e o Estado não só pode vir a prejudicar o funcionamento do sistema de segurança pública, como também pode colocar em maior risco a vida de alheios.
Torna-se urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para contornar os desafios do sistema de segurança pública no Brasil. Assim, cabe aos departamentos de administração de segurança, não só formar integralmente agentes, mas também estabelecer, por intermédio de assembleias, uma gestão participativa. Tal gestão deve contar com representantes de bairros que irão apresentar as problemáticas da violência de suas respectivas regiões e apresentarão propostas a serem avaliadas de como o sistema deve agir em cada situação com o objetivo de otimizar o sistema de segurança pública.