Desafios do sistema de segurança pública no Brasil

Enviada em 31/07/2019

Dentre os principais direitos conquistados pela Constituição Cidadã, está expresso o dever do Estado em prover segurança pública. Três décadas depois, o Brasil vive uma série de debates sobre como garantir tal direito. A má gestão da verba pública associada à insatisfação de policiais, contudo, revela o quanto ainda precisa ser resolvido dessa questão.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar a precariedade de recursos públicos destinado a esse setor em detrimento de sua vasta demanda. Devido a isso, cabe aos setores responsáveis pela segurança administrar meticulosamente cada investimento - o que não ocorre. Um exemplo disso é o envio de policiais em intervenções desnecessárias, como a do Rio de Janeiro, que, além de não resolver os atritos com as milícias locais, acarretou massiva perda de vidas e também de recursos.

Enquanto o Estado investe em ações controversas como essa, que mais assemelha-se a uma “lei para inglês ver”, perde-se diariamente um contingente enorme de policiais em campo. Estatísticas recentes confirmam que a polícia brasileira está entre as que mais matam e mais morrem no mundo. Soma-se a isso a insatisfação generalizada de tais profissionais com baixos salários e baixa qualidade de trabalho. E é nesse cenário que surgem protestos como o vivido pelos capixabas em fevereiro de 2017, no qual as ruas ficaram sem policiamento, culminando com um caos social e uma série de saques a lojas.

Fica claro, portanto, a importância de ser sanado alguns impasses no debate sobre a segurança pública. Dessa forma, cabe ao Governo federal junto aos órgãos responsáveis aplicarem ações menos agressivas e mais cautelosas, tendo em vista a grande perda de vidas e o baixo resultado. Para isso, deve direcionar verbas para a inteligência e investigação afim de solucionar crimes. Ademais, garantir melhores condições de trabalho para policiais e também conferir-lhes treinamento e capacitação técnica. Somente assim, a segurança, mesmo que às vezes não vista, será, de fato, uma conquista da nossa Carta Magna.